Do barro ao legado: pai e filho transformam cerâmica em história de família

Negócio iniciado por José Carlos Martins dentro de casa cresceu, gerou empregos e hoje é compartilhado com o filho.
Do barro ao legado: pai e filho transformam cerâmica em história de família
Artesão José Carlos Martins transformou a produção de cerâmica em negócio familiar (Foto: Divulgação)

Uma necessidade familiar transformou um hobby em projeto de vida há cerca de três décadas. Depois de deixar o Rio de Janeiro para recomeçar no Maranhão, o artesão José Carlos Martins encontrou na produção de cerâmica vitrificada uma alternativa para garantir renda e sustentar a família.

O trabalho começou de maneira doméstica, com peças produzidas dentro de casa. Aos poucos, Martins percebeu que havia espaço para desenvolver esse mercado no estado, aumentou a produção e passou a contratar colaboradores. Atualmente, a empresa mantém uma equipe formada por dez pessoas.

“Era um hobby dentro de casa. Eu vi que existia espaço para expandir esse trabalho no Maranhão e resolvi investir. Comecei sozinho e, aos poucos, o negócio foi crescendo”, relembra.

Neste Dia dos Pais, a trajetória ganhou outro significado. O empreendimento construído por Martins passou a ser dividido com o filho, Bernardino Alves, transformando o ofício artesanal em um elo entre gerações.

De filho a parceiro de trabalho

A participação de Bernardino modificou a rotina do negócio e abriu uma nova fase na relação familiar. Pai e filho dividem as responsabilidades entre a oficina, onde as peças são produzidas, e a loja, voltada ao atendimento dos clientes.

“Primeiro vem o amor quando ele está no berço, depois quando começa a andar, vai para a escola. Hoje eu tenho um parceiro. Se estou na oficina, ele está na loja. Se estou na loja, ele está na oficina. É uma relação de pai e filho, mas também de amizade e responsabilidade”, afirma Martins.

Apesar de ensinar o ofício, o artesão sempre incentivou Bernardino a estudar e construir a própria autonomia profissional. A permanência do filho na empresa deveria ocorrer por escolha, não apenas pela obrigação de dar continuidade ao trabalho familiar.

“Eu sempre disse que o estudo é a base de tudo. Queria que ele tivesse uma profissão para seguir o caminho que desejasse. Se escolhesse continuar no artesanato, seria por vontade própria”, conta.

A decisão de Bernardino de permanecer no negócio fortaleceu uma área essencial para o crescimento da empresa: o contato com o público. Enquanto o pai se dedica à tradição produtiva, o filho assumiu parte do atendimento e das vendas.

Segundo Martins, a habilidade de Bernardino para apresentar as peças e conversar com os consumidores contribuiu para transformar visitantes em clientes recorrentes.

“O diferencial dele é o jeito de atender. Muitas pessoas visitam a loja, conhecem nosso trabalho e depois voltam para fazer encomendas. Isso ajudou muito o negócio a crescer”, observa.

Aprendizado além da oficina

Para Bernardino, a convivência profissional com o pai também trouxe mudanças pessoais. O trabalho com o barro exige paciência, precisão e atenção durante todas as etapas, da modelagem ao acabamento.

“É uma experiência de vida. Com o barro, além da questão do desenvolvimento físico, também consegui trabalhar bastante a concentração e minhas habilidades de comunicação”, relata.

A rotina compartilhada criou uma relação que ultrapassa a transmissão de técnicas artesanais. O filho passou a compreender os desafios da administração, enquanto o pai encontrou um parceiro para pensar o futuro da empresa.

Produção ganha novos formatos

A participação em feiras e eventos empresariais ajudou a família a identificar outras possibilidades para o negócio. Durante uma feira realizada em São Paulo, Martins decidiu apresentar peças decorativas maiores, diferentes dos pequenos produtos que até então concentravam a produção.

A resposta do público indicou que havia procura por esse tipo de trabalho. A experiência levou à diversificação do catálogo e à entrada em um segmento com novas oportunidades comerciais.

“Percebemos que as peças decorativas tinham uma aceitação muito grande. Voltamos com uma nova visão e passamos a investir também nesse segmento”, explica o artesão.

O apoio do Sebrae também aproximou pai e filho de capacitações, eventos e contatos com outros empreendedores. Agora, a família se prepara para participar da Expo MEI, espaço integrado à Feira do Empreendedor 2026.

“Estamos levando bastante produto porque acreditamos na feira. Queremos divulgar nosso trabalho, crescer e mostrar que todo mundo pode crescer junto”, diz Martins.

Feira do Empreendedor

A Feira do Empreendedor será realizada entre os dias 14 e 16 de agosto, em São Luís. A programação reunirá palestras, capacitações, rodadas de negócios e espaços destinados à exposição de produtos e serviços.

Dentro do evento, a Expo MEI reunirá microempreendedores de diferentes segmentos interessados em apresentar seus trabalhos, estabelecer contatos comerciais e trocar experiências.

Para José Carlos Martins, o maior resultado de três décadas de atividade não está apenas na expansão da produção ou no número de peças comercializadas. Está na possibilidade de trabalhar diariamente com o filho e perceber que o ofício iniciado por necessidade ganhou continuidade sem perder sua origem artesanal.

A Feira do Empreendedor 2026 é realizada pelo Sebrae Maranhão, com correalização do Governo do Estado e do Sistema Fiema. O evento também reúne patrocinadores e parceiros de instituições públicas, privadas e entidades ligadas aos setores produtivos.

Serviço

Feira do Empreendedor 2026
Data: 14 a 16 de agosto
Local: São Luís
Programação: capacitações, palestras, rodadas de negócios, exposições e espaços temáticos
Atração: Expo MEI

Com informações da Ascom Sebrae-MA