O documentário Máfia do Apito, lançado pelo sportv e Globoplay, reacendeu a polêmica sobre o Campeonato Brasileiro de 2005 e abriu uma nova frente de discussão no Internacional. Após declarações do ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho, pivô do escândalo, um conselheiro colorado protocolou pedido no Conselho Deliberativo para que a diretoria busque, junto à CBF, o reconhecimento do título brasileiro daquele ano.
Confissão de Edílson
No documentário, Edílson admite ter influenciado diretamente no resultado final da competição.
“Eu mudei o campeão brasileiro. Sem a máfia do apito, o campeão seria o Internacional”, declarou.
O esquema de manipulação de resultados, ligado a apostas ilegais, levou à anulação de 11 partidas pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O Inter venceu novamente o Coritiba no jogo repetido, mas o Corinthians, beneficiado com quatro pontos extras nos duelos anulados, acabou campeão três pontos à frente dos gaúchos.
Reconhecimento até no Corinthians
Áudios do então presidente do Corinthians, Alberto Dualib, também exibidos na série, reforçam a tese colorada:
“Se não fosse a anulação dos 11 jogos, o campeão de fato e de direito seria o Internacional”, disse o dirigente.
Outro episódio marcante foi o empate em 1 a 1 entre Inter e Corinthians, na reta final do campeonato. O árbitro Márcio Rezende Freitas não marcou pênalti em Tinga, expulsou o jogador colorado e, no documentário, reconhece erro de posicionamento.
Pedido formal no Conselho
O conselheiro Leonardo Aquino cita prejuízos esportivos e financeiros ao Inter e exemplos internacionais, como o Olympique de Marseille (França) e a Juventus (Itália), que perderam títulos por manipulação. Ele baseia o pedido no estatuto da Fifa e defende que “todos os personagens confirmam que o legítimo campeão seria o Inter”.
O presidente do Conselho Deliberativo, Gustavo Juchem, informou que o requerimento será avaliado na próxima reunião do órgão e já foi encaminhado ao Conselho de Gestão, presidido por Alessandro Barcellos.
Divergência interna
Ex-presidente do Inter e dirigente à época, Fernando Carvalho pondera que o clube firmou acordo com a CBF para retirar ações judiciais, sob risco de perder vaga na Libertadores de 2006. “Entre o risco de não disputar a Libertadores e enfrentar sanções da Fifa e Conmebol, resolvemos fazer o acordo”, relatou.
Carvalho afirma que qualquer movimento agora precisaria ser avaliado com cautela:
“O fato ocorreu há 20 anos. É preciso estudar a prescrição e se o acordo assinado gera impedimentos.”
Ferida aberta
Mesmo após a conquista da Libertadores e do Mundial de 2006, o Brasileirão de 2005 segue sendo um tema sensível para o clube e seus torcedores. Agora, com a repercussão do documentário, o Inter volta a discutir oficialmente se deve reivindicar a taça que nunca recebeu.






