Uma operação conjunta do governo paulista contra bebidas alcoólicas adulteradas com metanol lacrou 128 mil garrafas de vodca nesta quarta (1º) em Barueri, interditou três distribuidoras e ampliou o cerco a bares e adegas da capital. A ação ocorre após 10 casos confirmados de intoxicação e uma morte — outras cinco estão sob investigação.
O que aconteceu
- 128 mil garrafas de vodca foram lacradas em Barueri; liberação depende de documentação junto à Secretaria da Fazenda.
- 3 distribuidoras foram interditadas (duas na capital, uma em Barueri); 1 endereço visitado estava sem atividade.
- 802 garrafas foram apreendidas nesta semana (660 em distribuidoras e 142 em três bares).
- O bar Ministrão (Jardins) foi interditado na terça (30) por risco à saúde pública; mais dois estabelecimentos (Mooca e São Bernardo do Campo) também foram fechados cautelarmente.
Órgãos envolvidos: Polícia Civil (DRACO), Vigilâncias Sanitárias Estadual e Municipal, Procon, Secretaria da Fazenda, Anvisa.
Onde houve fiscalização
Capital – Vigilância em Saúde interditou cautelarmente dois endereços da mesma distribuidora na Bela Vista (Rua Conselheiro Ramalho: BBR Supermercado e BB Belbilar Bebidas). Outro ponto na Vila Mariana (Rua Joaquim Nunes Teixeira) também foi alvo; o nome não foi divulgado.
Barueri – Galpões da GRF Distribuidora (Av. Prefeito João Vilallobo Quero) e da Brasil Excellance Comercial e Exportadora de Bebidas (Av. Dr. Humberto Gianella) foram vistoriados. Na GRF, o lote específico não foi localizado; uma caixa de cada lote foi recolhida para análise e interditada cautelarmente. A Brasil Excellance não opera no endereço há cerca de seis meses.
A GRF Distribuição declarou colaborar com a investigação. As demais citadas foram procuradas.
Balanço oficial (atualização mais recente)
Interdições:
- 6 estabelecimentos interditados (Bela Vista, Itaim Bibi, Jardins, Mooca, São Bernardo do Campo e Barueri).
Distribuidoras: - 1 com inscrição estadual suspensa; 3 sob análise para suspensão.
- O bar dos Jardins teve a inscrição estadual suspensa pela Sefaz.
Casos e óbitos: - 10 intoxicações por metanol confirmadas; 27 em investigação.
- 1 morte confirmada; 5 óbitos em apuração.
Por que o metanol é perigoso
O metanol (CH₃OH) é um álcool incolor, inflamável e tóxico. Ao contrário do etanol (álcool das bebidas), que o corpo metaboliza até acetato, o metanol se transforma em formaldeído e ácido fórmico, substâncias que lesam o sistema nervoso e podem causar cegueira e morte.
Como ele aparece nas bebidas?
- Traços naturais podem surgir em fermentações de frutas, mas são regulados.
- Em destilados clandestinos, a “cabeça” da destilação (rica em metanol) não é descartada.
- O maior risco é a adulteração deliberada: criminosos adicionam metanol para “elevar” teor alcoólico aparente.
Risco por tipo de bebida:
- Maior em destilados (cachaça, aguardente, whisky, vodca, gin) — especialmente clandestinos.
- Vinhos podem ter traços baixos e regulados.
- Cerveja praticamente não gera metanol relevante no processo.
Como reduzir o risco (checklist do consumidor)
- Lacre/vedação: verifique integridade da tampa e do selo.
- Volume e aparência: desconfie de frascos com níveis irregulares ou rótulos mal impressos.
- Rotulagem legal: contrarrótulo em português com registro do MAPA.
- Preço fora da curva: promoções agressivas podem indicar fraude.
- Local confiável: compre de lojas e distribuidores regulares; peça nota fiscal.
- Em bares: prefira garrafas abertas na sua frente e observe a procedência.
Sinais de alerta (procure atendimento imediato)
- Cefaleia intensa, náuseas, vômitos, dor abdominal
- Confusão, ataxia, convulsões, taquicardia
- Visão turva repentina, “manchas” ou cegueira após consumo de bebida
Onde buscar ajuda:
- Centro de Controle de Intoxicações – SP: (11) 5012-5311 | 0800 771 3733
- Busca Saúde (SP): plataforma da prefeitura para localizar atendimento de emergência
Próximos passos da investigação
A Polícia Civil elabora a cronologia de consumo a partir dos relatos de quem passou mal, cruza notas fiscais, imagens de câmeras e laudos periciais dos lotes recolhidos. Lojas e distribuidoras podem responder por crime contra as relações de consumo, crime contra a saúde pública, falsificação/adulteração de produtos e outras tipificações, além de sanções administrativas (multas, interdições e suspensão de inscrição estadual).
Denúncias podem ser feitas de forma anônima aos canais do Procon-SP, Vigilância Sanitária e Polícia Civil.
Com informações da TV Globo e g1 SP






