Entidades empresariais do Maranhão encaminharam um ofício a autoridades estaduais, federais e municipais manifestando oposição à proposta de criação da Reserva Extrativista (Resex) Tauá-Mirim, sugerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para a região sudoeste da Ilha de São Luís.
No documento, o setor produtivo solicita a atuação do poder público junto ao governo federal para impedir a implementação da medida, considerada incompatível com o perfil econômico, industrial e logístico da área.
As entidades argumentam que o território já possui forte presença de unidades de conservação estaduais, o que, na avaliação do grupo, torna desnecessária a criação de uma nova unidade federal com regras mais restritivas.
Outro ponto destacado é a sobreposição da área proposta com o Distrito Industrial de São Luís (Disal), criado em 1980 e responsável por concentrar parte significativa da atividade portuária, logística e industrial do estado.
Segundo o posicionamento, a região é classificada como zona de uso industrial pelo Plano Diretor da capital, e a criação da Resex pode comprometer investimentos em andamento, além de inviabilizar projetos estratégicos de longo prazo.
As entidades também alertam para possíveis impactos na competitividade do Maranhão no cenário logístico nacional, especialmente no chamado Arco Norte, que envolve o escoamento de grãos, minérios, combustíveis e fertilizantes.
O documento ainda questiona a adequação do modelo de reserva extrativista à realidade socioeconômica local, destacando mudanças no perfil das comunidades, com maior inserção no mercado formal de trabalho.
Além dos impactos econômicos, o setor produtivo aponta riscos de insegurança jurídica, ao considerar que a criação da unidade pode gerar conflitos com normas já estabelecidas, afetando a previsibilidade para investidores e ampliando a possibilidade de judicialização.
As entidades ressaltam que não são contrárias à preservação ambiental, mas defendem que o instrumento proposto não se adequa à realidade da região.
O ofício foi encaminhado ao governador Carlos Brandão e a diversas instituições. Entre os signatários estão Fiema, Ciema, Fecomércio, Faem, Faema, AJE, FCDL e ACM.






