O endividamento da população adulta do Maranhão segue em alta e já alcança mais da metade dos consumidores, de acordo com dados do Mapa da Inadimplência do Brasil, divulgado pelo Serasa Experian nesta semana. O levantamento aponta que mais de 2 milhões de maranhenses possuem contas em atraso.
No ranking nacional, o Maranhão aparece na 19ª posição entre os estados com maior número de inadimplentes. Segundo a especialista em educação financeira Rafaela Alves, cerca de 46% da população adulta do estado enfrenta algum tipo de inadimplência, índice próximo da média nacional, que chega a 49,77%. Em comparação com o ano anterior, quase 190 mil pessoas passaram a integrar a lista de devedores no estado.
Os dados revelam que as dívidas bancárias e de cartão de crédito são as mais frequentes entre os inadimplentes maranhenses. Na sequência, aparecem despesas essenciais, como contas de água e energia elétrica, o que evidencia o impacto do endividamento sobre o orçamento doméstico. O valor médio de cada débito ultrapassa R$ 1,5 mil, dificultando acordos e renegociações para grande parte da população.
Outro fator que agrava o cenário é a incidência de juros considerados abusivos. De acordo com a Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE-MA), essa é uma das principais reclamações registradas no Núcleo do Consumidor. Somente no último ano, o órgão realizou mais de 3 mil atendimentos, sendo aproximadamente metade relacionada a dívidas com instituições financeiras, muitas delas envolvendo empréstimos, cobranças indevidas ou até golpes.
Para o defensor público do consumidor, Diego Oliveira, o cidadão não é obrigado a aceitar condições ilegais. “A revisão de contratos é um direito garantido. Os juros devem respeitar a média do mercado e, quando comprovada a cobrança abusiva, o consumidor pode ter direito ao ressarcimento em dobro do valor pago a mais”, explicou.
Superendividamento e mínimo existencial
O cenário de inadimplência também expõe o crescimento do superendividamento no estado. Segundo o presidente em exercício do Procon-MA, Ricardo Cruz, o consumidor superendividado é aquele que já não consegue manter suas necessidades básicas por causa do acúmulo de dívidas.
“É a situação de quem não consegue garantir o mínimo existencial, porque está comprometido com empréstimos e obrigações financeiras que consomem toda a renda”, destacou.
Diante desse contexto, órgãos de defesa do consumidor reforçam a importância de buscar orientação antes de renegociar dívidas, denunciar cobranças abusivas e utilizar os mecanismos legais disponíveis para reorganizar a vida financeira.






