A Academia Sueca anunciou que o escritor húngaro László Krasznahorkai é o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura 2025. O comunicado oficial destaca “sua obra convincente e visionária que, em meio ao terror apocalíptico, reafirma o poder da arte” — uma definição que sintetiza a força estética e filosófica do autor de Sátántangó.
Krasznahorkai nasceu em 1954, em Gyula, no sudeste da Hungria. Sua estreia literária com Sátántangó (1985) foi um acontecimento no país e abriu as portas para o reconhecimento internacional: o romance retrata, com imagens poderosamente sugestivas, moradores à deriva numa fazenda coletiva abandonada pouco antes da queda do comunismo. Anos depois, a obra foi adaptada pelo cineasta Béla Tarr em um filme-ritual de 439 minutos que se tornou culto cinéfilo.
Além de Sátántangó, o comitê destaca títulos como “A Melancolia da Resistência” (Az ellenállás melankóliája), reforçando o traço autoral do húngaro: frases longas, atmosfera onírica e grotesca, e um pessimismo metafísico que examina a tensão entre ordem e caos. A crítica Susan Sontag consagrou-o como “mestre do apocalipse” — epíteto que volta a circular com a láurea.
Por que importa
Krasznahorkai é o primeiro húngaro a receber o Nobel de Literatura desde Imre Kertész (2002), reposicionando a literatura centro-europeia no centro do debate global. O prêmio reconhece uma obra que, ao encarar a ruína, insiste no poder transformador da arte — uma mensagem afinada com o presente.
Obras, cinema e legado
- Romances de referência: Sátántangó (1985) e A Melancolia da Resistência (1989).
- No cinema: parcerias com Béla Tarr renderam adaptações emblemáticas, entre elas Sátántangó (1994), de sete horas e dezenove minutos.
- Reconhecimentos anteriores: Man Booker International (2015) e National Book Award de Tradução (2019), marcos de sua recepção crítica fora da Hungria.
O prêmio
Cada Nobel concede 11 milhões de coroas suecas (cerca de US$ 1,2 milhão), além de medalha e diploma; a cerimônia ocorre em 10 de dezembro, em Estocolmo.






