Estimulação cerebral profunda amplia acesso ao tratamento do Parkinson pelo SUS no MA

Marcapasso cerebral implantável passa a ser utilizado como método para controle dos sintomas motores.
Estimulação cerebral profunda amplia acesso ao tratamento do Parkinson pelo SUS no MA
Estimulação cerebral profunda com marcapasso cerebral passa a integrar o tratamento do Parkinson pelo SUS no Maranhão (Foto: Divulgação)

O tratamento da doença de Parkinson no Maranhão passou a contar com a estimulação cerebral profunda (DBS), método considerado um dos principais avanços no controle dos sintomas motores em pacientes que já não respondem adequadamente à medicação. A técnica começou a ser aplicada no Hospital de Alta Complexidade Dr. Carlos Macieira, referência estadual em procedimentos neurológicos, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

O procedimento consiste na implantação de eletrodos em áreas específicas do cérebro, conectados a um gerador de impulsos elétricos — conhecido como marcapasso cerebral. Esse sistema emite estímulos contínuos que modulam circuitos neurais afetados pela doença, permitindo o controle de fenômenos motores como tremores, rigidez e lentidão dos movimentos. A técnica é indicada principalmente para pacientes com Parkinson avançado, quando os medicamentos deixam de oferecer resposta satisfatória.

Segundo o neurocirurgião João Carlos Sousa, o método representa um marco para a rede pública de saúde no estado. “A estimulação cerebral profunda atua diretamente em regiões profundas do cérebro, por meio de um sistema ligado a uma bateria recarregável. O objetivo é controlar os sintomas motores que não estão sendo mais controlados com medicamentos. Com essa tecnologia, conseguimos ampliar o acesso a um tratamento que melhora a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes”, explicou.

O sistema implantado é recarregável, com durabilidade superior a dez anos, exigindo apenas recargas periódicas semanais. Por não demandar trocas frequentes de bateria, o método reduz a necessidade de novas intervenções cirúrgicas e é compatível com a rotina diária do paciente. Além do Parkinson, a estimulação cerebral profunda também pode ser indicada em casos de tremor essencial e distonias.

Um dos pacientes beneficiados é o lavrador Mizael Pedro Sá, de 74 anos, diagnosticado com Parkinson há mais de uma década. Ele passou pelo implante do marcapasso cerebral em novembro e teve o sistema ativado na última segunda-feira (22). A expectativa é que, com a modulação dos circuitos cerebrais, ele recupere parte da autonomia comprometida ao longo dos anos pela progressão da doença.

A implantação da estimulação cerebral profunda no Hospital Dr. Carlos Macieira consolida a unidade como polo estadual em neurologia de alta complexidade e amplia as possibilidades terapêuticas para pacientes que convivem com doenças neurológicas crônicas, reforçando o papel do SUS na incorporação de tecnologias avançadas ao tratamento.