Estudante maranhense leva projeto sobre janaúba a feiras científicas

Aluna do ensino médio investiga possíveis propriedades do látex da planta na saúde reprodutiva.
Estudante maranhense leva projeto sobre janaúba a feiras científicas no Brasil e exterior
Ana Clara Barros Almeida exibe os troféus conquistados em premiações nacionais e internacionais (Foto: Divulgação)

Aos 17 anos, Ana Clara Barros Almeida, estudante do Centro de Ensino Raimundo Soares da Cunha, transformou uma curiosidade de família em projeto científico e já acumula resultados: venceu a FECET, em Cascavel (PR), na categoria Ciências da Saúde, e garantiu vaga para a Genius Olympiad (Nova York), a Mostratec (Novo Hamburgo) e a FENECIT (Recife).

O trabalho, intitulado “O potencial farmacológico do látex da janaúba (Himatanthus drasticus): uma abordagem fitoquímica e reprodutiva na prevenção de abortos espontâneos”, investiga compostos da planta — comum no Nordeste e presente na medicina popular — com a hipótese de desenvolver, no futuro, um suplemento de baixo custo para mulheres com histórico de abortos espontâneos.

A pergunta de pesquisa surgiu após um caso de aborto espontâneo envolvendo uma conhecida da família. O marido, do interior de Chapadinha, mencionou o uso tradicional do látex de janaúba como “protetor” da gestação. A estudante foi a campo: conversou com moradores, coletou amostras e iniciou triagens fitoquímicas orientada por seu professor de Química, Carlos Fonseca Sampaio.

O que o estudo já fez — e o que ainda falta

Segundo a equipe, a fase atual reúne levantamento bibliográfico, caracterização preliminar de compostos e um desenho experimental voltado a entender potenciais efeitos em modelos apropriados. Não há, por ora, evidência clínica que permita recomendar o uso da planta para prevenção de abortos espontâneos.

Pesquisadores ouvidos pela reportagem (em referência ao consenso da área) lembram que, quando se trata de saúde reprodutiva, qualquer proposição terapêutica precisa passar por testes de toxicidade, estudos pré-clínicos e, eventualmente, ensaios clínicos controlados, além do crivo ético e regulatório. Produtos naturais podem conter substâncias ativas, mas também riscos relevantes se usados sem orientação.

Por que isso importa

Abortos espontâneos são eventos comuns e multifatoriais. A busca por alternativas seguras e acessíveis atrai a atenção de jovens cientistas, sobretudo em regiões onde saberes tradicionais convivem com escassez de acesso a serviços especializados. O mérito do projeto está em traduzir um uso popular em pergunta testável, conectando escola, território e método científico.

Próximos passos

Com a agenda de feiras confirmada, Ana Clara deve ampliar o contato com avaliadores e laboratórios, o que pode abrir portas para colaborações. A equipe pretende avançar em protocolos de extração, padronização de amostras e ensaios de segurança, pré-condições para qualquer discussão sobre aplicação prática.

Atenção: o látex de janaúba não deve ser utilizado para fins medicinais sem avaliação profissional e sem estudos que comprovem segurança e eficácia. O projeto está em fase acadêmica/exploratória.


FICHA DO PROJETO
• Tema: janaúba (Himatanthus drasticus) e saúde reprodutiva
• Ênfase: triagem fitoquímica e desenho experimental
• Premiação: 1º lugar na FECET (Ciências da Saúde)
• Próximas feiras: Genius Olympiad (NY), Mostratec (RS), FENECIT (PE)