Fraudes contra seguradoras se espalham pelo país e incluem até falsa morte

Em um dos casos, caminhoneiro simulou o roubo de uma carga de R$ 700 mil, que seria entregue em São Luís e Imperatriz.
Fraudes contra seguradoras se espalham pelo país e incluem até falsa morte
Os casos ocorreram em pelo menos seis estados brasileiros (Foto: Reprodução)

Uma rede sofisticada de golpes contra seguradoras está sendo desmantelada pelas autoridades brasileiras, com fraudes que vão desde acidentes de trânsito simulados até a tentativa de recebimento de seguro com base em uma certidão de óbito falsa. As investigações abrangem diversos estados e revelam um padrão de fraudes articuladas, que causam prejuízos milionários e atingem em cheio os consumidores honestos. A engenharia criminosa foi divulgada nesse domingo, 22, pelo programa Fantástico.

Falsa morte no litoral do Paraná

Um dos casos mais emblemáticos ocorreu no Paraná. Orlando Luiz Pires Júnior, de 49 anos, foi declarado morto após um suposto afogamento. Com uma certidão de óbito emitida, o seguro de vida no valor de R$ 2 milhões teria como beneficiário um amigo do “falecido”. Dois meses depois, Orlando apareceu vivo, participando de uma audiência trabalhista no interior do estado.

Ele foi localizado em Jaguapitã, onde admitiu sua identidade. A Polícia Civil do Paraná indiciou cinco pessoas, incluindo o próprio Orlando, por estelionato e associação criminosa.

Esquemas similares em outros estados

O caso de Orlando é apenas um entre dezenas identificados pelas forças policiais. Em São Vicente (SP), um caminhoneiro simulou o roubo de uma carga de R$ 700 mil, que seria entregue em São Luís e Imperatriz, no Maranhão. A investigação mostrou que ele integrava uma quadrilha especializada em fraudes logísticas.

Em São Paulo, uma mulher alegou que seu carro havia sido furtado, mas câmeras de segurança a flagraram voltando ao local e dirigindo o veículo embora. No Rio de Janeiro, outra acusada convenceu um mecânico a incendiar seu automóvel, mas ele desistiu e denunciou o plano.

No Ceará, dois motoristas simularam um acidente de trânsito com o objetivo de receber R$ 200 mil em indenizações. Um laudo técnico confirmou que a batida foi proposital. Já em Mato Grosso, cinco motoristas usaram veículos com placas clonadas para simular sinistros com carros já danificados, enviando fotos falsas em vistorias virtuais.

Prejuízo bilionário e impacto coletivo

Segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), os pedidos suspeitos de indenização superaram os R$ 2 bilhões só no primeiro semestre de 2024. As fraudes impactam diretamente no valor dos seguros e sobrecarregam os sistemas de controle e fiscalização.

“Esse tipo de crime gera aumento de custo para as seguradoras, que repassam isso ao consumidor. O prejuízo maior recai sobre quem age corretamente”, afirmou o advogado especialista em seguros Luiz Felipe Pellon.

As polícias de São Paulo e Minas Gerais identificaram ao menos 26 boletins de ocorrência com indícios de falsidade em relatos de assalto ou sinistros, com a presença de roteiros previamente elaborados para dar credibilidade aos depoimentos.

Com a intensificação das investigações, a recomendação das autoridades é clara: fraudes contra seguradoras são crimes graves, com penas que incluem reclusão e registro criminal, além de sanções civis.

Com informações do Fantástico