Criminosos estão utilizando uma nova tática para aplicar fraudes na internet: o uso de e-mails patrocinados — mensagens pagas e promovidas por plataformas — que se passam por comunicações oficiais dos Correios. A estratégia, que vem se disseminando rapidamente, tem como alvo consumidores que aguardam encomendas e são levados a clicar em links falsos.
Em um dos casos mais recentes, investigado por veículos de imprensa, o remetente da mensagem aparece com o nome “Portal Encomendas”, e a mensagem chega à caixa de entrada com logomarca dos Correios e aviso de pendência de entrega. No conteúdo, um link direciona a vítima a um site fraudulento, onde são solicitados dados pessoais como nome completo, CPF, identidade, passaporte e endereço, sob o pretexto de liberar uma encomenda supostamente retida.
Fraude paga com CNPJ de pessoa física
Ao clicar no remetente, é possível identificar que o e-mail patrocinado foi impulsionado por um CNPJ registrado em nome de uma microempreendedora de Minas Gerais. A mulher, identificada como Ana Lívia Ferreira Alves, afirma nunca ter autorizado o uso de seus dados e desconhece o envio das mensagens.
“Meu e-mail é apenas pessoal, não tenho nem conhecimento técnico para criar esse tipo de conteúdo”, disse ela, surpresa ao saber que seu CNPJ está associado a uma campanha de e-mail fraudulenta.
A situação levanta dúvidas sobre os mecanismos de verificação adotados por plataformas como o Google, que foi responsável por veicular o anúncio. Segundo a empresa, são utilizadas ferramentas de inteligência artificial e revisão humana para barrar esse tipo de conteúdo — embora, neste caso, o sistema tenha falhado.
Especialistas apontam falhas na segurança
Especialistas em segurança digital alertam para a fragilidade no processo de checagem dos anunciantes e cobram maior responsabilidade das plataformas.
“Quando uma empresa promove um conteúdo, ela assume parte da responsabilidade sobre sua legitimidade. Impulsionar uma fraude pode caracterizar falha no dever de proteger o consumidor”, afirma o promotor Mauro Ellovitch, do Grupo de Combate a Crimes Cibernéticos.
De acordo com o Google, só em 2024 foram removidos mais de 200 milhões de anúncios por violarem as políticas de publicidade. Ainda assim, casos como esse mostram que a triagem nem sempre é suficiente para evitar que fraudes cheguem até o público.
Correios alertam: não enviam e-mails sobre cobranças
Os Correios reforçaram que não enviam e-mails, SMS ou mensagens de WhatsApp sobre pendências de entrega, cobranças de taxas ou liberações de objetos. A orientação é que usuários utilizem exclusivamente o site oficial (correios.com.br) ou o aplicativo dos Correios para acompanhar suas encomendas e realizar pagamentos com segurança.
Vítima relata prejuízo de R$ 400
A auxiliar administrativa Maria Alice Socorro foi uma das vítimas desse tipo de golpe. Após receber um e-mail que simulava comunicação dos Correios, ela realizou pagamentos acreditando tratar-se de taxas legítimas.
“Tudo era muito convincente, parecia real. Acabei pagando mais de R$ 400 em falsas cobranças. Só percebi que era um golpe quando já era tarde”, lamenta.
Como se proteger de e-mails fraudulentos
- Evite clicar em links de e-mails não solicitados.
- Desconfie de mensagens com tom de urgência.
- Verifique o remetente e o domínio do e-mail.
- Use canais oficiais para rastrear pedidos e fazer pagamentos.
- Denuncie golpes às autoridades e plataformas.
Com informações do Jornal Nacional






