Greve de rodoviários entra no 4º dia e mantém transporte urbano paralisado em SL

Impasse sobre pagamento de reajuste salarial mantém ônibus fora de circulação e amplia dificuldades de mobilidade na capital.
Greve de rodoviários entra no 4º dia e mantém transporte urbano paralisado em SL
Greve de rodoviários chega ao quarto dia em São Luís e mantém ônibus urbanos fora de circulação (Foto: Reprodução)

A paralisação parcial dos rodoviários do sistema de transporte urbano de São Luís chegou ao quarto dia nesta segunda-feira (16), sem previsão de acordo entre trabalhadores e empresários do setor. A greve começou na última sexta-feira (13) e tem como principal motivo o não pagamento do reajuste salarial previsto em acordo anterior, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (Sttrema).

Com grande parte da frota fora de circulação, milhares de moradores da capital maranhense enfrentam dificuldades para se deslocar pela cidade. O cenário tem afetado principalmente trabalhadores e estudantes que dependem do transporte coletivo para chegar ao trabalho, escolas e universidades.

Enquanto o sistema urbano permanece paralisado, os ônibus do sistema semiurbano continuam operando, atendendo bairros de municípios da região metropolitana, como Paço do Lumiar, Raposa e São José de Ribamar. No entanto, esses veículos não estão entrando nos terminais de integração de São Luís, o que limita a integração entre as linhas.

Esta é a segunda greve do transporte público em menos de três meses na capital. De acordo com o sindicato da categoria, cerca de 4,5 mil a 5 mil trabalhadores atuam atualmente no sistema de transporte coletivo da Grande São Luís.

Sindicato afirma que não houve convocação para negociação

O presidente do Sttrema, Marcelo Brito, informou que até o domingo (15) nenhuma reunião havia sido convocada para discutir o impasse que levou à paralisação.

Segundo ele, os rodoviários decidiram suspender as atividades após constatarem que o reajuste salarial definido após a última greve e determinado pela Justiça do Trabalho não foi implementado pelas empresas.

De acordo com o dirigente sindical, nenhum trabalhador recebeu salário com o aumento previsto, o que teria levado à nova mobilização da categoria.

Prefeitura aponta responsabilidade das empresas

Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) informou que a greve foi motivada pelo descumprimento de decisão judicial por parte das empresas de ônibus, que deveriam ter aplicado o reajuste salarial e concedido benefícios aos trabalhadores.

A prefeitura afirma que tem mantido os repasses de subsídios ao sistema de transporte em dia, sem atrasos ou reduções.

Segundo a SMTT, causa estranheza o fato de que, mesmo com os repasses regulares feitos pelo município, as empresas não tenham garantido o cumprimento das determinações judiciais relacionadas aos direitos dos rodoviários.

Empresas apontam aumento de custos

Já o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) afirma que a crise no setor está ligada ao congelamento do subsídio pago pela prefeitura desde janeiro de 2024, enquanto os custos operacionais continuaram aumentando.

Entre os fatores citados pelo sindicato patronal estão dois reajustes salariais concedidos aos trabalhadores e o aumento no preço do diesel, que teria subido cerca de R$ 1,40 por litro recentemente.

Segundo o SET, as paralisações recorrentes no sistema de transporte coletivo desde 2021 são reflexo de problemas estruturais no contrato entre o município e as empresas que operam o serviço.

A entidade também afirmou que tem buscado diálogo com a prefeitura e que protocolou diversos pedidos de reunião junto à SMTT desde o início de 2025.

Vouchers são liberados para usuários

Para reduzir os impactos da paralisação, a Prefeitura de São Luís anunciou a liberação de vouchers em aplicativos de transporte para usuários previamente cadastrados em programas de mobilidade criados pelo município.

De acordo com a gestão municipal, a medida busca oferecer uma alternativa emergencial de deslocamento enquanto o transporte coletivo permanece comprometido.

A prefeitura informou ainda que segue monitorando a situação e adotando medidas para restabelecer o funcionamento do sistema e garantir o direito de mobilidade da população.

Enquanto as negociações não avançam, a greve continua afetando a rotina da cidade e mantém incerto o retorno pleno da circulação de ônibus na capital maranhense.