O Grupo Fribal anunciou um aporte de R$ 40 milhões para expandir sua atuação no Brasil, com foco especial no estado do Maranhão. A estratégia passa pela construção de fazendas próprias e a abertura de açougues gourmets e empórios de carne premium, buscando atender a um público em crescimento e consolidar o estado como referência no segmento de proteínas de alto padrão.
A iniciativa é parte de um plano ambicioso que mira um faturamento de R$ 4,5 bilhões em 2026, cerca de 20% acima do alcançado em 2025, apoiado pela crescente demanda por cortes de alta qualidade e experiências de consumo diferenciadas no Nordeste.
A Fribal já opera uma rede significativa de lojas especializadas, empórios e pontos de venda, com presença marcante no Maranhão e em outras regiões do Nordeste.
O avanço ocorre em um mercado local que amadureceu de forma acelerada. Nos últimos anos, São Luís, cidade com cerca de 1 milhão de habitantes, passou a concentrar um público de maior poder aquisitivo, movimento que impulsionou a procura por lojas especializadas, cortes nobres e serviços mais sofisticados.
É nesse cenário que a Fribal entra em uma disputa direta por espaço com outro gigante maranhense, o Grupo Mateus, maior varejista de alimentos do Nordeste, responsável por um processo de modernização e profissionalização do setor na região. Os números impressionam: a empresa detém cerca de 65% do mercado maranhense e 35% do nordestino, com 210 açougues especializados, 62 lojas de bairro e mais de 400 pontos de venda, considerando supermercados, empórios e restaurantes.
Especialistas em comércio observam que investimentos dessa magnitude podem redefinir padrões de consumo e abrir novas oportunidades econômicas em um território até então visto como improvável para esse tipo de negócio.
Rivalidade
A estratégia de expansão da Fribal vai além da abertura de novas lojas e da disputa pelo consumidor de maior renda. Nos bastidores, a concorrência com o Grupo Mateus se intensificou nos últimos anos. A empresa acusa o rival de tentar cooptar funcionários de suas unidades para obter informações estratégicas. Uma prática classificada como “irritante” por Carlos Francisco de Oliveira, sócio-fundador do Grupo Fribal.
Para o consultor de varejo Renato Avó, especialista em comércio de alimentos, tanto Fribal quanto Mateus foram responsáveis por criar novos públicos consumidores em uma região antes vista como improvável para esse perfil de mercado. “Cada grupo, à sua maneira, ajudou a formar camadas de consumo que simplesmente não existiam”, avalia. Segundo ele, esse crescimento acompanha o desenvolvimento do Porto do Itaqui, em São Luís, e a expansão do agronegócio no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). O aumento do emprego, da renda e a modernização do comércio criaram as bases para um consumo mais robusto.
Estrutura produtiva
No centro dessa engrenagem está a Fazenda São João, localizada em Campestre, no interior do Maranhão. Com 850 hectares, a propriedade funciona como vitrine e pilar da estrutura produtiva da Fribal. O local tem capacidade para confinar até 40 mil cabeças de gado, com abates realizados a partir dos vinte meses de criação — um fluxo que abastece os frigoríficos, a rede de lojas e sustenta a operação de exportação do grupo, que hoje alcança cerca de 80 países.

“A Fazenda São João é a base da nossa organização, onde seguimos rigorosamente todos os protocolos sanitários para produzir carne de padrão internacional”, afirma Eugênio Gonçalves, gerente-geral da unidade.
Não por acaso, a propriedade se tornou ponto de visitação frequente de pecuaristas de diferentes regiões do país, interessados em conhecer de perto os processos, indicadores e controles adotados. Mais do que um caso de sucesso empresarial, a expansão da Fribal evidencia como o avanço econômico pode abrir novos mercados e redefinir hábitos de consumo em áreas historicamente consideradas improváveis.
Com informações de Marco Damiani – Veja






