Impasse entre rodoviários, empresas e Prefeitura eleva risco de greve

Sem contraproposta salarial e com subsídio em atraso, trabalhadores ameaçam paralisação nos próximos dias.
MPMA cobra posição da Prefeitura de São Luís sobre TAC para regularizar transporte coletivo
Ministério Público deu prazo de cinco dias para o Município se manifestar em meio à greve dos rodoviários (Foto: Reprodução)

O sistema de transporte coletivo da Grande São Luís vive um novo momento de tensão. Sem avanços nas negociações salariais e diante de um cenário de atraso no pagamento de subsídios, os rodoviários afirmam que podem cruzar os braços caso não haja acordo nos próximos dias. O alerta foi feito pelo Sindicato dos Rodoviários do Maranhão, que negocia a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) para 2026.

Ainda em novembro de 2025, o sindicato dos trabalhadores afirmou que encaminhou ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) a proposta da nova convenção. Desde o início deste ano, reuniões vêm sendo realizadas, mas, segundo a categoria, nenhuma contraproposta econômica foi apresentada até o momento.

O presidente do sindicato, Marcelo Brito, ressaltou que tem participado de todos os encontros, mas afirma que as discussões seguem sem resultados práticos. A única sugestão da patronal, segundo ele, foi a criação de convenções distintas para trabalhadores do sistema urbano e do semiurbano — proposta rejeitada pelo sindicato, que defende direitos iguais para toda a categoria.

“O prazo das negociações está se encerrando. Se não houver definição das cláusulas econômicas, especialmente reajuste salarial e ticket alimentação, a paralisação será inevitável. Os rodoviários merecem respeito”, declarou Marcelo Brito.

Subsídio em atraso pressiona empresas

Paralelamente à negociação trabalhista, o SET formalizou uma notificação extrajudicial contra a Prefeitura de São Luís, cobrando o pagamento de R$ 6.169.659,30 referentes ao subsídio do transporte coletivo do mês de dezembro de 2025. O valor deveria ter sido repassado até o quarto dia útil de janeiro, conforme acordo firmado em audiência de conciliação em fevereiro de 2024 e homologado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região.

A notificação foi encaminhada aos secretários municipais Maurício Itapary (Trânsito e Transporte) e Emílio Carlos Murad (Governo). Segundo o sindicato patronal, o atraso compromete o equilíbrio financeiro das empresas, já que o subsídio tem destinação exclusiva para pagamento de salários, reajustes e tickets alimentação dos rodoviários.

Até o momento, a Prefeitura de São Luís não se pronunciou oficialmente sobre a cobrança.

STF entra no caso

O cenário se agravou após decisão do Supremo Tribunal Federal, que determinou que o município preste esclarecimentos ou devolva R$ 1.594.227,11 ao sistema de transporte coletivo. A decisão é do ministro Kassio Nunes Marques e atende a ação apresentada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).

Segundo o processo, a Prefeitura aplicou um desconto no subsídio de novembro de 2025 com base em uma lei municipal cuja eficácia foi suspensa por decisão judicial. Mesmo após a suspensão, o município teria mantido compensações financeiras e direcionado recursos para empresas de transporte por aplicativo durante o período de greve dos rodoviários.

De acordo com os autos, em cerca de dez dias, o município teria gasto aproximadamente R$ 9 milhões com transporte por aplicativo — valor superior ao subsídio mensal destinado às empresas de ônibus da capital.

Diante disso, o STF determinou que a Prefeitura apresente esclarecimentos em até cinco dias ou realize o depósito do valor considerado indevidamente retido.

Risco real de nova paralisação

Entidades do setor avaliam que os atrasos nos subsídios, somados ao impasse trabalhista, aumentam significativamente o risco de paralisação do transporte público. O subsídio representa cerca de 30% do valor da tarifa, sendo apontado como essencial para a manutenção do sistema e o cumprimento das obrigações trabalhistas.

Sem acordo entre trabalhadores, empresas e poder público, São Luís pode enfrentar, mais uma vez, interrupções no serviço de ônibus, afetando milhares de usuários que dependem diariamente do transporte coletivo.