Influenciador Hytalo Santos é preso por suspeita de tráfico humano e exploração infantil

O caso ganhou repercussão após denúncias do youtuber Felca, que afirmou haver “adultização” de crianças nas redes sociais.
Influenciador Hytalo Santos é preso por suspeita de tráfico humano e exploração infantil
Hytalo Santos foi preso na manhã desta sexta-feira, 15 (Foto: Reprodução)

Ação conjunta do Ministério Público da Paraíba e órgãos de segurança prendeu o influenciador e o marido, Israel Nata Vicente, em São Paulo; Justiça aponta destruição de provas e tentativa de intimidação de testemunhas

O influenciador paraibano Hytalo Santos, de 27 anos, e o marido dele, Israel Nata Vicente, foram presos nesta sexta-feira (15) em uma residência em Carapicuíba, na Grande São Paulo. A prisão integra uma operação que investiga crimes de tráfico de pessoas, exploração sexual infantil e trabalho infantil artístico irregular.

A ação foi coordenada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), com apoio da Polícia Civil da Paraíba, da Polícia Civil de São Paulo — por meio do DEIC —, da Secretaria Nacional de Segurança Pública, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e de outros órgãos. Imagens registraram o momento da prisão.

Origem das investigações

O caso ganhou repercussão após denúncias do youtuber Felca, que afirmou haver “adultização” de crianças e adolescentes em conteúdos produzidos por criadores digitais, citando a participação de Hytalo. O influenciador, natural de Cajazeiras (PB), ficou conhecido por vídeos em que reúne pessoas em uma “mansão”, incluindo menores de idade.

As investigações levaram a medidas cautelares contra Hytalo, como mandados de busca e apreensão e bloqueio de suas redes sociais. A Justiça também determinou a desmonetização dos vídeos e a proibição de contato com as supostas vítimas.

Fundamentos da prisão

As ordens de prisão foram expedidas pelo juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa, da 2ª Vara de Bayeux (PB). Na decisão, o magistrado afirma haver “fortes indícios” de crimes e que os investigados já destruíram provas, removeram materiais que seriam apreendidos e tentaram intimidar testemunhas.

Segundo o juiz, a prisão preventiva foi necessária para impedir novos atos de obstrução, garantir a integridade das provas e preservar a eficácia da investigação conduzida pelo grupo especial do MPPB.

Defesa contesta

O advogado Sean Abib, que representa o casal, disse que ainda não teve acesso à decisão judicial e que ingressará com habeas corpus para tentar a liberação. A defesa reafirma a inocência de Hytalo e afirma que ele “sempre se colocou à disposição das autoridades”.

Novas diligências e repercussão no Senado

Na quinta-feira (14), a Justiça apreendeu um computador e celulares na casa de Hytalo em João Pessoa. Um mandado de busca já havia sido cumprido no mesmo endereço no dia anterior, mas o imóvel estava fechado.

A repercussão do caso chegou ao Congresso: a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou convite para que Felca participe de uma audiência pública sobre a circulação de conteúdos que promovem a sexualização de crianças e adolescentes nas redes. Representantes de plataformas digitais, do MPF, da Polícia Federal e da Defensoria Pública da União também devem ser ouvidos.