A influenciadora digital maranhense Andressa Tainá Lima de Sousa, de 30 anos, permanece presa após decisão da Justiça durante audiência de custódia realizada neste sábado (2). Acusada de liderar um esquema de promoção de jogos de azar e lavagem de dinheiro — com foco na divulgação do chamado “Jogo do Tigrinho” — Tainá foi detida na sexta-feira (1º) dentro de um escritório de advocacia no bairro do Calhau, em São Luís, por agentes do Departamento de Combate aos Crimes Tecnológicos (DCCT), vinculado à Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic).
A prisão preventiva foi motivada por dois fatores principais: o descumprimento de medida cautelar que proibia o uso de redes sociais — ignorada por Tainá logo após ser notificada — e a descoberta de mensagens com indícios de ameaças de morte a autoridades e profissionais de imprensa.
Em conversas extraídas de um celular apreendido durante a Operação Dinheiro Sujo, a influenciadora mencionava o nome do deputado estadual Yglésio Moyses, do delegado Pedro Adão (responsável pelo caso) e do jornalista Domingos Costa como possíveis alvos de retaliação. Um dos trechos mais alarmantes envolvia a morte do jornalista Luís Cardoso, encontrado morto em abril: “Um já foi, faltam quatro”, teria escrito Tainá em diálogo com o pai.
Durante interrogatório na sede da Seic, a influenciadora preferiu permanecer em silêncio. Exames de corpo de delito foram realizados no Instituto Médico Legal (IML) ainda na noite de sexta-feira. O delegado Pedro Adão destacou que o teor das mensagens, somado à reincidência em desobedecer determinações judiciais, reforçou a necessidade de manter a prisão.
Esquema milionário e rede familiar
A Operação Dinheiro Sujo, deflagrada na última quarta-feira (30), teve como alvo uma rede articulada por Tainá e outros cinco investigados, todos com atuação ativa nas redes sociais. Os nomes incluem familiares e pessoas próximas à influenciadora: o pai Otávio Filho, o irmão Otávio Vitor Lima, o ex-namorado Neto Duailibe, a advogada Maria Angélica e a amiga Marília Dutra, apontada como “gerente de captação” dos apostadores. Juntos, os investigados acumulavam mais de 200 mil seguidores no Instagram, plataforma usada como principal canal de promoção das apostas ilegais.
Segundo a polícia, os membros do grupo cooptavam vítimas com promessas de lucros fáceis e rápidos, induzindo seguidores a se registrarem em plataformas de apostas ligadas ao esquema. Os valores movimentados pelos seguidores eram então lavados por meio da compra de bens em nome de terceiros, entre eles veículos de alto padrão.
A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 11,4 milhões em ativos do grupo, além da apreensão de veículos de luxo como Range Rover Velar, Range Rover Evoque, BMW, Toyota Hilux e até uma moto aquática. Também foram encontrados cadernos com anotações financeiras, bolsas de grife, celulares, computadores e uma arma de fogo que, segundo apuração da polícia, pertencia a um policial militar responsável pela segurança pessoal da influenciadora.
As investigações seguem em curso, com foco na origem dos recursos e nas conexões do grupo com outras práticas ilícitas. A Polícia Civil não descarta o envolvimento de novos nomes no esquema.






