Jovem é indiciado por dolo eventual após acidente que matou namorada de 19 anos

Investigação aponta consumo de duas garrafas de vodca, racha e velocidade extrema antes da colisão na BR-376.
Jovem é indiciado por dolo eventual após acidente que matou namorada de 19 anos
Isadora Boscariol Rossini não resistiu e morreu após o acidente (Foto: Divulgação)

A Polícia Civil indiciou um jovem de 22 anos pela morte da namorada, Isadora Boscariol Rossini, 19, em acidente ocorrido em 25 de maio de 2025, na BR-376, no norte do Paraná. Ele responderá por homicídio com dolo eventual e lesão corporal, segundo o delegado Diego Troncha, responsável pelo caso em Nova Esperança.

De acordo com a apuração, o motorista teria consumido duas garrafas de vodca em uma casa noturna de Maringá e, depois, participado de racha com outros veículos. No carro estavam Isadora e uma amiga dela, também de 19 anos, que ficou ferida e sobreviveu.

O inquérito reuniu provas técnicas, depoimentos, registros de radares e imagens de câmeras de segurança. Em um dos vídeos, o veículo perde o controle e invade uma propriedade rural. A polícia calculou que os carros percorreram um trajeto de 23 km em cerca de 9 minutos, com velocidade média de 153 km/h, entre o distrito de Iguatemi (Maringá) e as cidades de Mandaguaçu e Presidente Castelo Branco.

Durante as diligências, algumas testemunhas inicialmente negaram o consumo de álcool pelo investigado, mas as versões foram contraditas por policiais rodoviários estaduais, que atestaram a embriaguez no momento do acidente. Outras pessoas admitiram ter ocultado provas, retirando e descartando uma garrafa de vodca que estava dentro do carro.

“O indiciamento por dolo eventual decorre da análise técnico-jurídica de que, ao combinar embriaguez, velocidade extrema e participação em racha, o condutor previu o risco de um desfecho trágico e, ainda assim, prosseguiu, assumindo o risco de matar”, afirmou o delegado Diego Troncha.

Um segundo motorista, de 23 anos, que conduzia outro carro envolvido na disputa, foi indiciado pelo crime de racha.

O autor principal chegou a ser preso em flagrante na data do acidente, pagou fiança de R$ 2 mil e responde em liberdade. O inquérito foi remetido ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), que decidirá sobre o oferecimento de denúncia. Caso a acusação seja apresentada e aceita pelo Judiciário, o réu poderá ser levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.


Entenda (resumo)

  • Crimes imputados: homicídio com dolo eventual e lesão corporal (ao admitir o risco do resultado ao dirigir embriagado, em alta velocidade e em racha); para o outro condutor, racha.
  • Principais evidências: laudos e registros eletrônicos (radares e câmeras), relatos de PRF/PMRv, e confissões sobre ocultação de prova (garrafa de vodca).
  • Próximos passos: o MP-PR analisa o caso e pode oferecer denúncia; se recebida, o acusado vai a júri popular.