O nome de Roberto Faria Thomaz, de 19 anos, esteve entre os mais comentados do Brasil nos primeiros dias de 2026. O jovem ficou cinco dias perdido na trilha do Pico Paraná, ponto mais alto da Região Sul, em um episódio que mobilizou equipes de resgate, familiares e chamou a atenção do país inteiro. Após ser encontrado com vida, a história ganhou um novo capítulo: Roberto foi convidado a estrelar uma campanha publicitária de uma grande rede de fast food.
Durante os dias em que esteve desaparecido na mata, Roberto sobreviveu em condições extremas, alimentando-se apenas de um pedaço de panetone e uma fruta. Na peça publicitária, no entanto, o contraste é evidente: o jovem aparece consumindo hambúrgueres, batata frita e refrigerante, em uma abordagem leve e bem-humorada que rapidamente repercutiu nas redes sociais.
Roberto ficou nacionalmente conhecido após se perder durante a trilha que fazia com a amiga Thayane Smith, no primeiro dia do ano. Mesmo percebendo que o rapaz não se sentia bem fisicamente, ela seguiu o percurso. Roberto só foi encontrado no dia 5 de janeiro, quando conseguiu, por conta própria, chegar até a base do Pico, em uma fazenda localizada na região de Antonina Cacatu, após caminhar mais de 20 quilômetros. Ele apresentava escoriações, hematomas e sinais claros de desgaste físico.
Na época, vídeos publicados por Thayane relatando o ocorrido viralizaram e geraram forte reação negativa. A jovem foi duramente criticada por ter deixado o amigo para trás na trilha e por justificar a decisão com base em diferenças de “estilo de vida”. Após o início das buscas, ela afirmou ter tirado um “aprendizado” da situação, dizendo que não voltaria a trilhar com pessoas sem experiência ou preparo físico.
O caso também passou a ser analisado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), que apontou indícios do crime de omissão de socorro. Segundo o órgão, há elementos que indicam que Thayane deixou Roberto para trás mesmo após perceber que ele estava em situação de risco.
Agora, com a campanha publicitária, a história ganha novos contornos e levanta discussões sobre a rápida transformação de episódios traumáticos em conteúdo publicitário, além dos limites éticos da exposição e da exploração de situações de risco que, por pouco, não terminaram em tragédia.






