Jovem vítima de feminicídio sofreu ameaças do ex-companheiro por anos

Investigação aponta histórico de perseguição, violência psicológica e descumprimento de medida protetiva antes do ataque fatal.
Jovem vítima de feminicídio sofreu ameaças do ex-companheiro por anos
Cibelle Monteiro Alves foi morta pelo ex-companheio após série de ameaças (Foto: Reprodução)

A morte de Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos, dentro de uma joalheria em um shopping de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, é investigada como feminicídio e expõe um histórico prolongado de ameaças, perseguições e violência psicológica praticadas pelo ex-companheiro da vítima, segundo a Polícia Civil.

O crime ocorreu na noite da última quarta-feira (25), no shopping Golden Square, onde a jovem trabalhava. O autor do ataque, identificado como Cássio Henrique da Silva, de 25 anos, não aceitava o fim do relacionamento, que havia durado mais de cinco anos.

Histórico de ameaças e perseguição

De acordo com familiares e investigadores, a vítima convivia com episódios de intimidação havia pelo menos três anos. Mensagens obtidas pela polícia mostram ameaças constantes feitas pelo suspeito, que afirmava que continuaria entrando em contato mesmo após ser bloqueado.

“Sempre apareço”, escreveu. Em outra mensagem, ameaçou ligar novamente minutos depois caso continuasse bloqueado.

Em uma das situações, ele chegou a enviar um PIX simbólico de um centavo apenas para inserir uma mensagem ameaçadora no campo de descrição da transferência.

“Vai ver o que é inferno de verdade”.

Cibelle também relatou a amigos que o ex-companheiro costumava aparecer em locais frequentados por ela, inclusive na portaria do condomínio onde morava, mesmo após a concessão de medida protetiva pela Justiça.

Desde 2023, a jovem havia registrado três boletins de ocorrência por agressões verbais, comportamento violento e perseguição. Segundo a investigação, após uma breve reconciliação, o relacionamento terminou definitivamente em 2025, período em que as ameaças teriam se intensificado.

Ataque dentro da loja

Na noite do crime, o agressor entrou na joalheria portando uma faca e uma réplica de arma de fogo. Funcionárias foram feitas reféns e, em menos de dois minutos, Cibelle foi atacada e esfaqueada no pescoço.

Logo após o ataque, Cássio enviou um áudio à própria família confessando o crime. Quando policiais conseguiram acessar o estabelecimento, a vítima já estava sem vida.

“Eu matei a Cibelle. Está cheio de polícia aqui”, diz o áudio.

Durante a intervenção, agentes balearam o agressor nas pernas. Ele foi socorrido, permanece internado sob escolta policial e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.

Investigação e repercussão

O caso é conduzido pela Equipe de Investigações sobre Homicídios da DEIC de São Bernardo do Campo. A Secretaria da Segurança Pública informou que as diligências continuam para o completo esclarecimento dos fatos.

Em nota, o shopping Golden Square lamentou o ocorrido e afirmou prestar apoio à família da vítima e aos funcionários afetados.

Testemunhas relataram momentos de pânico durante a ação policial. Clientes e trabalhadores se abrigaram em lojas, banheiros e almoxarifados após ouvirem disparos efetuados durante a intervenção.

O local foi isolado para perícia, e o caso segue oficialmente registrado como feminicídio.

Com informações da TV Globo e g1 SP