Justiça reabre caso sobre morte de PC Siqueira e amplia linhas de apuração

Ministério Público questiona conclusão de suicídio, pede reconstituição do caso e não descarta instigação ou homicídio.
Justiça reabre investigação sobre morte de PC Siqueira e amplia linhas de apuração
Dois anos após a morte de PC Siqueira, Justiça de São Paulo determina retomada das investigações (Foto: Divulgação)

A Justiça de São Paulo determinou a retomada das investigações sobre a morte do influenciador digital PC Siqueira, ocorrida em dezembro de 2023, após acolher um pedido do Ministério Público (MP). A Promotoria discordou da conclusão do inquérito policial, que apontava suicídio, e decidiu aprofundar a apuração com novas diligências.

O Ministério Público colocou em dúvida laudos periciais e depoimentos colhidos durante a investigação inicial e indicou a necessidade de analisar outras hipóteses, como instigação ao suicídio ou até homicídio. Pessoas próximas ao influenciador poderão voltar a ser ouvidas no curso das apurações.

Entre as medidas solicitadas está a reconstituição da morte, marcada para esta terça-feira (20), às 10h30, no edifício onde PC morava, no bairro Campo Belo, zona sul da capital paulista. A reprodução simulada será conduzida por peritos da Polícia Técnico-Científica, com acompanhamento da Polícia Civil.


Divergências levaram à reabertura do caso

PC Siqueira foi encontrado morto em seu apartamento no dia 27 de dezembro de 2023, aos 37 anos. Segundo a versão inicial da perícia, ele teria tirado a própria vida por asfixia mecânica por enforcamento, na presença da ex-namorada, que prestou depoimento como testemunha.

O inquérito, concluído em outubro de 2025 pelo 11º Distrito Policial de Santo Amaro, manteve essa linha. Exames também identificaram traços de drogas e medicamentos no organismo do influenciador, mas os peritos afirmaram que essas substâncias não foram a causa da morte.

A defesa da família, no entanto, contestou os laudos e apontou falhas na perícia, além da ausência de análise de elementos do local e da não oitiva de ao menos uma testemunha indicada. Diante desses questionamentos, o MP decidiu não pedir o arquivamento, atitude considerada incomum em casos classificados como suicídio.


Novas diligências e acareações

O Ministério Público solicitou que testemunhas sejam ouvidas novamente, inclusive com acareação entre a ex-namorada e uma vizinha, para esclarecer contradições nos relatos. Também pediu perícias complementares e a intimação de pessoas que tiveram contato com PC nas horas que antecederam a morte, como o síndico do prédio.

Uma tentativa anterior de reconstituição, marcada para novembro de 2025, foi adiada devido à ausência da ex-namorada, que não havia sido localizada. Desta vez, ela informou à Justiça que não poderá comparecer por morar no Rio de Janeiro e estar amamentando um bebê recém-nascido. Sua versão, portanto, será reproduzida com base no depoimento já prestado.

Até o momento, a polícia afirma que não há suspeitos formalmente identificados, e que nenhuma hipótese está descartada.


Família e advogados contestam versão definitiva

Para os advogados da família, a tese de suicídio não pode ser tratada como definitiva neste estágio da investigação. Eles defendem que também seja apurado se houve participação de terceiros, seja por instigação ou por simulação de suicídio.

“A hipótese de suicídio é contestável. Pode ter acontecido, mas também pode ter sido outra coisa”, afirmou o advogado Caio Muniz. Segundo ele, as linhas de investigação atualmente trabalham com três possibilidades: suicídio, instigação ao suicídio ou homicídio.

O advogado Geraldo Bezerra da Silva Filho destacou que o Ministério Público considerou pertinentes os pedidos da defesa. “As principais medidas são a reconstituição dos fatos e a perícia complementar”, disse.


Trajetória e contexto

PC Siqueira foi um dos pioneiros da criação de conteúdo digital no Brasil, com grande projeção no YouTube e passagens pela televisão, incluindo a MTV. Nos últimos anos, enfrentou períodos de reclusão e problemas de saúde mental, segundo amigos.

Antes de sua morte, ele também era alvo de uma investigação relacionada à divulgação de imagens de abuso sexual infantil, aberta em 2020 após vazamento de mensagens privadas. Laudos posteriores não encontraram esse tipo de material em seus equipamentos, e o procedimento não teve conclusão judicial antes de sua morte. A família sempre afirmou que o caso contribuiu para um quadro de depressão.

Atualmente, familiares desenvolvem uma série documental sobre a trajetória do influenciador, em parceria com uma produtora audiovisual.


🚨 ALERTA DE APOIO E PREVENÇÃO 🚨

Se você ou alguém próximo estiver passando por sofrimento emocional intenso ou pensamentos suicidas, procure ajuda imediatamente:

  • Centro de Valorização da Vida (CVV): ☎️ 188 (ligação gratuita, 24h por dia)
  • Chat e atendimento online: www.cvv.org.br
  • Emergência: ☎️ 190 (Polícia Militar) ou 192 (SAMU)

Você não está sozinho. Buscar ajuda é um ato de coragem.