Durante missão oficial em Londres, o governador do Maranhão, Carlos Brandão, formalizou uma parceria que garantirá mais de US$ 100 milhões em investimentos voltados à recuperação de áreas degradadas, regularização fundiária e combate às queimadas no estado. A assinatura do acordo ocorreu durante a Semana de Ação Climática (Climate Action Week), evento internacional preparatório para a COP30, que será realizada em novembro, em Belém (PA).
A aliança foi firmada com o Mercuria Energy Group, multinacional suíça do setor de commodities, por meio do Fundo Silvania, e viabilizará a expansão de programas ambientais já em execução no Maranhão, como o Floresta Viva, Paz no Campo e Maranhão Sem Queimadas. A articulação foi conduzida com apoio da Investe Maranhão, agência estadual de promoção de investimentos.
“Apresentamos um novo projeto que foi aprovado e ampliará o trabalho já desenvolvido com o Mercuria em São Bento, onde temos o maior viveiro público do Brasil. Esse será um exemplo na COP30 de recuperação ambiental com impacto social direto”, afirmou o governador Brandão.
Projetos financiados e impactos previstos
O pacote de investimentos tem como objetivo recuperar áreas de floresta nativa, fortalecer a segurança fundiária e reduzir os focos de queimadas no estado. Segundo o vice-presidente do Mercuria, Enric Arderiu, o foco inicial será em áreas com maior potencial de regeneração rápida, com ampliação posterior para outras regiões.
O programa Floresta Viva, por exemplo, atua na restauração de áreas degradadas e no estímulo à produção sustentável com espécies nativas, como o açaí. Mais de 1 milhão de sementes já foram distribuídas a municípios maranhenses, como Anapurus, São Bento, Paço do Lumiar, Pastos Bons, Gonçalves Dias e Santa Luzia. Em São Bento, o viveiro público reúne mais de 100 famílias e é o maior do país voltado à recuperação ambiental.
Já o programa Paz no Campo promove a regularização fundiária e valoriza comunidades rurais e tradicionais. Desde sua criação, mais de 14 mil títulos de terra foram entregues, beneficiando cerca de 18 mil famílias em todo o estado. Comunidades quilombolas também têm sido contempladas: 24 já foram tituladas, atendendo 1.400 famílias.
No combate aos incêndios florestais, o programa Maranhão Sem Queimadas tem atuado desde 2020 nos municípios com maior incidência de focos de calor. Ações incluem capacitação de brigadistas, campanhas educativas e doação de equipamentos. Como resultado, o estado caiu da 2ª para a 4ª posição no ranking nacional de queimadas.
“Estamos mostrando ao mundo que é possível preservar, gerar renda e garantir direitos territoriais. O Maranhão alia segurança jurídica e compromisso ambiental, criando um ambiente confiável para novos investimentos”, afirmou Pedro Chagas, secretário estadual de Meio Ambiente.
Reconhecimento internacional
Representantes do Mercuria e do Fundo Silvania destacaram o potencial do Maranhão para se tornar referência global em soluções baseadas na natureza. Segundo Celso Fiori, diretor do Mercuria no Brasil, o estado reúne biomas diversos como Amazônia, Cerrado, Caatinga e manguezais, o que amplia as oportunidades de desenvolvimento sustentável.
Já Peter Seligman, presidente do Conselho do Silvania Conservation International, classificou a parceria como um modelo pioneiro de cooperação entre setor público e capital privado com foco climático e social.
“Este projeto não trata apenas de reflorestamento. Ele envolve combate à pobreza, geração de oportunidades e proteção das comunidades. É um conceito de ação climática centrado nas pessoas”, afirmou Seligman.
Semana de Ação Climática e COP30
A Semana de Ação Climática, realizada até 27 de junho em Londres, reúne autoridades, pesquisadores e investidores para discutir políticas ambientais globais, com destaque especial para o papel dos países em desenvolvimento no combate à crise climática.
O evento serve como preparação para a COP30, em Belém, que deverá consolidar a meta de mobilizar US$ 1,3 trilhão em financiamento climático até 2035, conforme estabelecido na COP29. O Maranhão tem participado ativamente dessas agendas para atrair novos recursos e apresentar soluções locais com potencial de impacto global.
“Essa parceria é estratégica para consolidar o Maranhão como protagonista na agenda ambiental. Os recursos anunciados reforçam programas já em curso e ampliam o acesso ao mercado de créditos de carbono, beneficiando diretamente a população”, avaliou Cauê Aragão, presidente da Investe Maranhão.






