Uma mulher foi condenada a 21 anos e nove meses de prisão pela morte da própria filha, uma criança de seis anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), em Lago da Pedra. A vítima morreu após ser envenenada com um agrotóxico em janeiro de 2022.
O julgamento de Ana Paula Cunha da Silva ocorreu na quinta-feira (20), no Tribunal do Júri da 1ª Vara de Lago da Pedra, sob a presidência da juíza Sheila Silva Cunha. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado.
O Conselho de Sentença reconheceu que a ré administrou ou forneceu à filha a substância tóxica que provocou sua morte. O produto foi identificado como Terbufós, pesticida associado ao veneno popularmente chamado de “chumbinho”.
Após a leitura da sentença, a magistrada determinou que Ana Paula fosse encaminhada à Unidade Prisional de Ressocialização Feminina (UPFEM), em São Luís.
Criança passou mal na casa da avó
De acordo com a denúncia, o crime ocorreu no dia 17 de janeiro de 2022. A menina ficava sob os cuidados da avó materna enquanto a mãe trabalhava em um hospital.
No dia da morte, Ana Paula estava de plantão, mas teria ido algumas vezes à residência onde a filha se encontrava. Segundo o processo, ela justificou as visitas afirmando estar com um pressentimento ruim.
Durante a tarde, a criança contou à avó que sentia muito sono e dor na língua. Pouco depois, passou mal e foi levada ao Hospital Professor Serra de Castro. A menina sofreu uma parada cardíaca e morreu apesar dos primeiros socorros.
Enquanto a equipe médica tentava reanimar a criança, Ana Paula gritava que a filha havia sido envenenada, conforme relatado na denúncia.
Frascos foram encontrados com a acusada
Após ser comunicada sobre a morte da menina, Ana Paula retirou dois frascos do bolso. Um deles não tinha identificação e continha uma substância granulada. No outro, havia um líquido transparente.
Ainda segundo os autos, a mulher afirmou que pretendia usar o conteúdo dos recipientes para tirar a própria vida. Os dois frascos foram recolhidos durante a apuração do caso.
O corpo da criança foi levado pelo Instituto Médico Legal (IML) para a realização da autópsia. A denúncia aponta que a mãe tentou impedir o procedimento, mas o exame foi realizado e identificou a presença de pesticida no organismo da vítima.
A causa da morte foi definida como asfixia decorrente de intoxicação exógena, condição provocada pelo contato, ingestão, inalação ou absorção de substâncias tóxicas.
Investigação apontou motivação ligada aos cuidados da filha
A investigação policial concluiu que Ana Paula pretendia se livrar da filha devido às demandas de acompanhamento relacionadas ao autismo. Depoimentos reunidos no processo indicaram que a acusada dizia não ter tempo para cuidar da menina, que necessitava de acompanhamento multidisciplinar.
A motivação apresentada pela acusação foi acolhida pelos jurados, que reconheceram a responsabilidade da ré pelo fornecimento do agrotóxico à criança. Com a condenação, Ana Paula permanecerá presa e iniciará o cumprimento da pena em regime fechado.






