O Governo Federal apresentou o maior programa de concessões ferroviárias dos últimos anos, com oito leilões previstos até 2027 — e o Maranhão aparece como um dos estados mais estratégicos do pacote. Entre os projetos anunciados estão o trecho Açailândia–Barcarena, com 530 km, e um trecho ferroviário de passageiros que vai ligar São Luís a Itapecuru-Mirim, ampliando soluções de mobilidade regional e reforçando o papel do estado na logística do Arco Norte.
A proposta integra o esforço do Ministério dos Transportes para diversificar rotas, reduzir gargalos logísticos e expandir a malha ferroviária nacional com concessões modernas, sustentáveis e voltadas para grandes corredores de carga.
Extensão Norte da Norte–Sul impulsiona nova rota pelo Maranhão
Prevista como único leilão de 2027, a extensão Norte da Ferrovia Norte–Sul será um dos projetos mais importantes para a economia maranhense. Com edital programado para fevereiro e leilão em maio, o trecho terá 530 quilômetros entre Açailândia (MA) e Barcarena (PA).
O objetivo é criar um novo acesso ao porto de Vila do Conde, reduzindo a dependência da Estrada de Ferro Carajás, hoje administrada pela Vale. O investimento estimado é de R$ 10 bilhões, além de mais R$ 28 bilhões em operação e manutenção ao longo da concessão.
A obra reforça a posição do Maranhão como ponto de convergência dos grandes corredores logísticos do Norte e Nordeste, ampliando a capacidade de escoamento de cargas agrícolas, minerais e industriais.
Trem de passageiros ligando São Luís a Itapecuru-Mirim
Além dos projetos de carga, o pacote inclui seis trechos destinados ao transporte de passageiros, e um deles está no Maranhão: São Luís – Itapecuru-Mirim.
A iniciativa resgata o debate sobre mobilidade ferroviária em território maranhense, criando uma alternativa de transporte regional que pode beneficiar estudantes, trabalhadores e populações do interior, além de estimular o turismo e integrar cidades próximas à capital.
O projeto integra um conjunto de linhas regionais que também vai conectar cidades na Bahia, Ceará, Distrito Federal, Paraná e Rio Grande do Sul.
Outros projetos nacionais que compõem o pacote
Embora o foco do Maranhão esteja em dois trechos, o programa ferroviário nacional prevê leilões robustos:
EF-118 – Anel Ferroviário Sudeste
- Leilão: junho de 2026
- 245,95 km obrigatórios entre São João da Barra (RJ) e Santa Leopoldina (ES)
- Investimento: R$ 6,6 bilhões
Malha Oeste (MS–SP)
- Leilão: julho de 2026
- 1.593 km entre Corumbá e Mairinque
- Investimento: R$ 35,7 bilhões
Fico–Fiol (BA–MT)
- Leilão: agosto de 2026
- 1.647 km
- Investimento: R$ 41,85 bilhões
Ferrogrão (PA–MT)
- Leilão: setembro de 2026
- 933 km
- Investimento: R$ 33,3 bilhões
Malha Sul (PR–SC–RS–SP)
Dividida em três trechos, com leilões previstos para dezembro de 2026, o projeto totaliza mais de 4.200 km e investimentos somados que ultrapassam R$ 12 bilhões.
Trechos a serem ofertados via chamamento público
O Governo também abrirá chamamento público para trechos ferroviários antigos e subutilizados, começando pelo Corredor Minas–Rio, com 738 km entre Arcos, Varginha e Angra dos Reis. O edital sai em janeiro de 2026.
Cronograma depende de ANTT e TCU
A execução de todo o pacote exige capacidade técnica da ANTT e análise do TCU, que valida os editais. Segundo o governo, boa parte dos projetos já está em etapa avançada nos dois órgãos, permitindo manter o cronograma.






