Maranhense Rayssa Leal conquista o tetracampeonato da Street League

Skatista de17 anos superou quatro japonesas e confirmou seu domínio em uma das finais mais disputadas da temporada.
Maranhense Rayssa Leal conquista o tetracampeonato da Street League
Rayssa Leal conquistou o tetracampeonato da Street League em São Paulo (Foto: David Abramvezt)

A maranhense Rayssa Leal, de apenas 17 anos, escreveu mais um capítulo monumental na história do skate neste domingo ao conquistar seu quarto título da Street League, o principal circuito da modalidade no mundo. Diante de quase 10 mil pessoas no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, a skatista brilhou, emocionou o público e deixou para trás um pelotão de adversárias composto majoritariamente por japonesas (três delas medalhistas olímpicas).

“Estou muito feliz, era 100% a meta do ano. Mesmo machucada, competi feliz. No treino caí, bati a cabeça, virei o joelho, mas hoje acordei melhor. Estou sem palavras”, disse Rayssa após a vitória, sintetizando a intensidade do fim de semana.


Domínio em meio à potência japonesa

A final reuniu seis das principais skatistas do planeta. Do Japão, vieram quatro nomes de peso: a campeã olímpica Coco Yoshizawa, a medalhista de prata Liz Akama, a bronze em Tóquio 2021 Yuna Nakayama e a campeã mundial Yumeka Oda. A australiana Chloe Covell, uma das maiores revelações da modalidade, completou o grupo.

Com o cancelamento do Campeonato Mundial de 2025 — originalmente previsto para setembro pela World Skating —, a decisão da Street League se consolidou como a competição mais importante da temporada. E, como tem sido tendência no skate street feminino, a juventude ditou o ritmo: a competidora mais velha entre as finalistas tinha apenas 20 anos.

Rayssa, que completará 18 em janeiro, mostrou maturidade e controle técnico desde a primeira volta.


Voltas decisivas e manobras cirúrgicas

A Fadinha abriu a disputa com uma volta quase impecável, rendendo nota 8.3. Mesmo competindo com uma entorse no tornozelo direito, manteve a liderança com manobras limpas e fluidas, apenas 0.1 à frente de Chloe Covell.

Na primeira manobra individual, Rayssa chamou seu repertório clássico ao usar o corrimão redondo — e tirou 7.5, mantendo a dianteira com folga. Mesmo após uma queda na segunda rodada, continuou em primeiro.

A partir da terceira manobra, a pressão aumentou: Yumeka Oda e Liz Akama reagiram com notas altas, colocando fogo na disputa. Rayssa, porém, respondeu à altura: cravou uma manobra sólida para garantir 8.7, ampliando sua vantagem.

Com nova nota alta (8.1) na penúltima rodada, ela se aproximou do título. Na última tentativa, viu Oda e Covell caírem, perdendo qualquer chance de ultrapassá-la. Rayssa chegou à última manobra já matematicamente campeã — e o ginásio explodiu em aplausos.


Um tetracampeonato que consolida uma era

A conquista deste domingo não apenas confirma Rayssa Leal como um dos maiores nomes da história do skate mundial, mas também reforça sua impressionante constância competitiva. Em um cenário dominado por jovens talentos e disputas acirradas, a maranhense continua elevando o nível técnico e emocional do circuito.

Com apenas 17 anos e já quatro títulos da Street League no currículo, Rayssa segue pavimentando uma trajetória que redefine o esporte — inspirando uma nova geração e mantendo o Brasil no topo do skate internacional.