Motorista de Porsche é condenado a 17 anos por morte de maranhense em SP

Ornaldo da Silva Viana, natural de Codó, morreu após ter o carro atingido na traseira em 2024
Motorista de Porsche é condenado a 17 anos por morte de maranhense em SP
Fernando Sastre foi condenado a 17 anos de prisão pela morte de Ornaldo Viana (Foto: Reprodução)

A Justiça de São Paulo condenou o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, de 26 anos, a 17 anos, um mês e dez dias de prisão pela morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos. A sentença foi anunciada nesta quinta-feira (29), após dois dias de julgamento no Fórum Criminal da Barra Funda, na capital paulista.

O cumprimento da pena deverá começar em regime fechado, e o condenado não poderá recorrer em liberdade. A decisão também o proíbe de dirigir veículos automotores.

Natural de Codó, no Maranhão, Ornaldo morava em Guarulhos e era pai de três filhos. Ele morreu após o Renault Sandero que dirigia ser atingido na traseira pelo Porsche conduzido pelo empresário, em 31 de março de 2024, na Zona Leste de São Paulo.

Natural de Codó, Ornaldo morava em Guarulhos na época do acidente (Foto: Divulgação)

Laudo apontou velocidade de 136 km/h

Segundo a acusação, Fernando dirigia sob efeito de álcool e em alta velocidade. Um laudo do Instituto de Criminalística apontou que o Porsche estava a aproximadamente 136 km/h no momento da colisão. O limite no trecho da Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé, era de 50 km/h.

Durante o julgamento, o empresário admitiu pela primeira vez ter consumido bebida alcoólica naquele dia. Até então, sustentava que havia bebido apenas água.

No depoimento, Fernando lamentou a morte de Ornaldo e disse imaginar a dor e o sofrimento da família da vítima.

Policial explicou liberação sem bafômetro

Uma das testemunhas ouvidas foi a policial militar Daisy Aparecida Cardoso Romão, que autorizou a saída do empresário do local da colisão sem a realização do teste do bafômetro.

Segundo a policial, a mãe de Fernando afirmou que levaria o filho ao hospital por causa de um sangramento no nariz. Daisy declarou que permitiu a saída porque o Samu já havia deixado a ocorrência e não havia atendimento médico disponível naquele momento. Ao ser questionada, confirmou que os bombeiros permaneciam no local.

A testemunha disse que o empresário estava confuso, mas não afirmou que ele aparentava estar alcoolizado. Também relatou que não solicitou escolta para acompanhar o deslocamento até a unidade de saúde.

De acordo com Daisy, um colega telefonou posteriormente para a mãe de Fernando porque ele não havia sido encontrado no Hospital São Luiz, destino informado inicialmente. A mulher indicou outro hospital, onde os dois também não foram localizados. A policial afirmou ter sido enganada e disse que mãe e filho foram para casa.

Sobre a ausência do teste, Daisy declarou que a equipe não dispunha de etilômetro na viatura. Ela também afirmou não se lembrar se a habilitação do empresário foi recolhida.

Ao longo dos dois dias de julgamento, foram ouvidas 11 das 14 testemunhas arroladas no processo, entre elas um perito contratado pela família de Fernando.

Defesa contesta manutenção da prisão

O advogado Jonas Marzagão questionou a prisão do cliente e afirmou que outros réus envolvidos em casos semelhantes respondem em liberdade. Segundo ele, Fernando não fez o teste do bafômetro porque a polícia não tinha o equipamento disponível.

A defesa também sustenta que o empresário permaneceu no local até receber autorização para sair. Sobre o pedido de socorro, o advogado afirmou que outras pessoas já haviam acionado o atendimento enquanto Fernando era retirado do veículo.