MP recomenda instalação de alarmes em ferryboats do Maranhão

Órgão dá 45 dias para Emap, Segov e operadoras apresentarem cronograma de implantação do BNWAS.
Passageiros devem sair dos veículos durante travessia de ferry boat, recomenda MPF
MPF determina que passageiros deixem veículos durante travessia de ferry boat entre São Luís e Alcântara (Foto: Divulgação)

O Ministério Público do Maranhão (MPMA) recomendou, em 10 de outubro, que todas as embarcações do transporte aquaviário em operação no estado instalem o Bridge Navigational Watch Alarm System (BNWAS) — sistema que dispara alertas progressivos quando o condutor deixa de responder aos comandos, acionando outros tripulantes e evitando panes por falha humana.

A orientação foi enviada à Emap, à Segov e às operadoras Henvil Transportes, Internacional Marítima e ServiPorto. A promotora de Justiça Alineide Martins Rabelo Costa sustenta que cabe ao Estado fiscalizar o serviço e garantir padrões mínimos de segurança.

Contexto: encalhe e novas paralisações

A medida ocorre uma semana após o encalhe do ferry “Cidade de Araioses”, em 3 de outubro, na Ilha do Cajual, durante a travessia entre Ponta da Espera (São Luís) e Cujupe (Alcântara). Segundo a 1ª Promotoria do Consumidor, há indicação de que o comandante teria adormecido com 210 passageiros a bordo.

O mesmo ferry voltou a interromper viagens em 15 de outubro, na terceira parada em menos de duas semanas. As sucessivas manutenções provocaram filas na Ponta da Espera e desistência de passageiros; entre os veículos retidos, havia caminhões com carga para a Baixada e nove ambulâncias.

O que muda com a recomendação

  • Prazo de 45 dias para Emap, Segov e operadoras apresentarem cronograma de adequação técnica e instalação do BNWAS, com prazos e responsáveis.
  • Envio ao MP de relatórios técnicos comprovando instalação, funcionamento e certificação dos equipamentos por entidade credenciada pela Marinha.
  • Capacitação de tripulações para resposta correta aos alertas.
  • Divulgação das ações preventivas aos consumidores.

Nota oficial

Em comunicado, a Segov informou que o “Cidade de Araioses” passou por manutenção corretiva em 10 de outubro e retomou a operação no mesmo dia. Em 14 de outubro, foi detectada falha na reversora, motivando nova intervenção “para garantir a segurança dos passageiros”. A pasta diz manter “obediência às regras de navegação”.

Serviço em números

A embarcação Cidade de Araioses tem 520 vagas para passageiros e capacidade para 70 veículos no convés.


Importância: a adoção do BNWAS é apontada por especialistas como ferramenta-chave para reduzir o risco de acidentes por fadiga no comando, um problema recorrente em travessias longas ou com jornadas estendidas. A efetividade da medida dependerá de instalação padronizada, treinamento real e fiscalização contínua.

Com informações do MPMA