MPMA cobra suspensão de cortes em clínicas de TEA na cidade de São Luís

Inspeção identificou falhas estruturais e ausência de requisitos técnicos em unidades indicadas como substitutas.
MPMA cobra suspensão de cortes em clínicas de TEA na cidade de São Luís
MP intervém contra descredenciamento de clínicas de TEA em São Luís (Foto: Reprodução IA)

O Ministério Público do Maranhão (MPMA), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde de São Luís, expediu, nesta sexta-feira (13), recomendação ao plano de saúde Hapvida para que suspenda, por tempo indeterminado, o descredenciamento das clínicas Espaço Avançar, Alfa Clínica, Clínica Padrão Kids e de quaisquer outras unidades especializadas no atendimento de pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A medida foi adotada com base na legislação vigente e tem como objetivo assegurar o direito à informação dos usuários, a continuidade da cobertura assistencial e a proteção dos direitos das pessoas com TEA, que dependem de acompanhamento multidisciplinar contínuo.

Reclamação deu origem à apuração

A recomendação foi formulada pela promotora de justiça Lítia Cavalcanti após denúncia apresentada à Ouvidoria do MPMA, relatando o descredenciamento da Clínica Espaço Avançar, especializada no atendimento de pacientes com autismo.

Diante da reclamação, o Ministério Público articulou uma inspeção técnica conjunta, realizada nos dias 10 e 11 de fevereiro, nas unidades da Hapvida localizadas nos bairros Areinha e Shopping da Ilha — indicadas como substitutas para absorver a demanda das clínicas que seriam descredenciadas a partir do dia 14.

Estrutura considerada insuficiente

Durante a vistoria, foi constatada a insuficiência de estrutura física, técnica e operacional das unidades da operadora para receber 283 pacientes com TEA que seriam transferidos das clínicas especializadas.

Entre as irregularidades identificadas estão:

  • Ausência de responsável técnico de categorias profissionais essenciais;
  • Consultórios inadequados para a prestação dos serviços terapêuticos;
  • Inexistência de registro e controle dos materiais utilizados nas terapias, sem comprovação de higienização;
  • Falta de licença sanitária vigente;
  • Necessidade de melhorias na acessibilidade;
  • Mobiliário e organização das salas considerados inadequados;
  • Ausência de manual terapêutico institucional.

De acordo com o Ministério Público, essas falhas comprometem a qualidade do atendimento e podem representar risco à continuidade do tratamento, especialmente considerando a especificidade das terapias voltadas a pessoas com TEA.

Garantia de continuidade do tratamento

Na recomendação, o MPMA reforça que mudanças na rede credenciada não podem ocorrer de forma abrupta ou sem que haja estrutura adequada para absorver a demanda, sob pena de violação aos direitos dos usuários e prejuízo ao tratamento de pacientes que necessitam de acompanhamento contínuo e especializado.

O órgão ministerial acompanha o caso e poderá adotar outras medidas legais caso a recomendação não seja cumprida.

O plano Hapvida não se manifestou sobre a decisão. O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos.

Com informações do MPMA