A Polícia Civil apreendeu nesta segunda-feira (30), em Água Boa (MT), a adolescente de 15 anos que mantinha um relacionamento virtual com o garoto de 14 anos que confessou ter assassinado os pais e o irmão de três anos em Itaperuna, no Norte Fluminense. Segundo os investigadores, a jovem será responsabilizada pelos mesmos crimes: triplo homicídio e ocultação de cadáver.
De acordo com o delegado Matheus Soares Augusto, a adolescente foi uma “grande incentivadora” do crime cometido no dia 20. O casal, que se conheceu por meio de um jogo online, teria planejado assassinar os próprios pais para poderem ficar juntos. “Pelo teor dos diálogos, assim que se encontrassem em Mato Grosso, matariam os pais dela. O objetivo final era eliminar qualquer obstáculo ao relacionamento”, afirmou o delegado.
As investigações apontam que a motivação do crime foi dupla: além da proibição imposta pelos pais do garoto em relação à viagem para conhecer a adolescente, ele também teria interesse em utilizar R$ 33 mil do FGTS do pai para financiar a ida até o Mato Grosso.
A história veio à tona no dia 24, quando a avó paterna do adolescente registrou o desaparecimento da família. Ela relatou à polícia que não conseguia contato com os pais e o irmão do garoto desde sábado. Na delegacia, o adolescente alegou que o irmão teria se engasgado com um caco de vidro e que os pais saíram às pressas com ele em um carro de aplicativo.
A versão foi rapidamente desmontada. Equipes policiais não encontraram registros de entrada da família nos hospitais da cidade. Diante disso, foi solicitada uma perícia na residência. No imóvel, foram localizados vestígios de sangue no colchão do casal e roupas queimadas. Um forte cheiro levou os peritos até a cisterna da casa, onde os três corpos foram encontrados.
Confrontado com a descoberta, o adolescente confessou o crime. Disse ter usado uma arma escondida debaixo do colchão dos pais para matar o casal com tiros na cabeça. O irmão de três anos, segundo ele, foi morto com um tiro no pescoço para “poupá-lo” da perda dos pais. Após o crime, arrastou os corpos até a cisterna utilizando produtos de limpeza para disfarçar os rastros.
A arma foi encontrada posteriormente pela avó, que a recolheu temendo um acidente. A polícia acredita que ela não sabia dos assassinatos.
Em seu depoimento, o adolescente demonstrou frieza e ausência de arrependimento. “Disse que faria tudo de novo. É um menino com comportamento calculista, que se autoafirma como homem o tempo inteiro. É possível que seja um psicopata ou extremamente inteligente para sua idade”, relatou o delegado Carlos Augusto da Silva.
Segundo a polícia, a adolescente apreendida também planejava matar os próprios pais como parte do plano para viver com o namorado. Ela será transferida para o Rio de Janeiro para responder pelo crime.
A Justiça determinou a internação provisória do adolescente em uma unidade socioeducativa. O caso provocou grande comoção em Itaperuna, especialmente pelo contraste entre o crime e as declarações públicas de afeto da família nas redes sociais. Em postagens antigas, o pai se referia ao filho como “pura ternura” e “irmão cuidadoso”.






