A construção da nova Ponte de Estreito, sobre o rio Tocantins, alcançou 75% de execução e tem entrega prevista para dezembro. Com R$ 171,1 milhões do Governo Federal, a travessia é peça estratégica da BR-226 para o fluxo de cargas e passageiros entre Maranhão e Tocantins, repondo a ligação rodoviária nacional interrompida após o desabamento da estrutura antiga, em 22 de dezembro de 2024.
Como a obra está sendo feita
A nova ponte é erguida pelo método de balanço sucessivo, solução aplicada em vãos longos quando escoramentos no rio são inviáveis. A construção avança por aduelas (segmentos) concretadas ou pré-moldadas que se projetam a partir dos pilares centrais, garantindo estabilidade e precisão na montagem.
Balanço de setembro — o que já ficou pronto
- 24 fundações e 26 pilares concluídos
- 45 vigas pré-moldadas montadas
- 5 das 9 lajes principais executadas
- Aduelas de disparo e 20 das 60 aduelas dos balanços instaladas
- Pré-lajes de apoio concluídas
As frentes de trabalho agora concentram esforços na montagem das aduelas restantes e na finalização das lajes, etapa que dá forma final à Obra de Arte Especial (OAE).
Como será a nova ponte
- 630 m de extensão e 19 m de largura
- Vão livre central de 154 m
- 2 faixas de 3,60 m cada
- 2 acostamentos de 3,00 m
- Barreiras New Jersey e passeios laterais com guarda-corpo
O caso
A Polícia Federal concluiu, em julho, perícia técnica que explica o colapso. Segundo o laudo — exibido no Fantástico no domingo (28) —, a ruptura ocorreu por deformações estruturais no vão central, sobrecarga e desgaste acumulado, agravados por intervenções mal executadas. O colapso levou 15 segundos; o vão central ruiu em menos de 1 segundo.
A ponte, dos anos 1960 (concreto protendido), não acompanhou a evolução do peso por eixo. Reforços feitos entre 1998 e 2000 incluíram troca de camada de concreto por asfalto e um reforço lateral mal ancorado, que se desprendeu “como fita crepe”, descreveu um perito.
Relatório de 2019 para o DNIT já apontava vibrações excessivas e rebaixamento de 70 cm no vão central, classificando a estrutura como “sofrível e precária”. As recomendações de reforço não foram executadas; uma licitação aberta em 2024 fracassou antes que houvesse intervenção.
Linha de responsabilização
A PF investiga omissão de agentes públicos na manutenção e descarta evento imprevisível. O DNIT informou ter concluído a apuração interna, com documentos na corregedoria. O então superintendente regional do órgão no Tocantins foi exonerado em abril e diz aguardar o resultado das perícias.
Impacto humano e operação provisória
A tragédia na véspera de Natal de 2024 deixou 14 mortos e 3 desaparecidos; 18 pessoas caíram no rio e apenas uma sobreviveu. Famílias ainda aguardam desfechos e homenagens seguem sendo prestadas.
Com a implosão da ponte antiga em fevereiro, a travessia passou a depender de balsas, gerando filas de até 10 horas e custos logísticos adicionais para caminhoneiros e empresas.
O que muda com a entrega
A liberação da nova ponte deve:
- Restabelecer o corredor Norte–Centro-Sul da BR-226, reduzindo tempos de viagem e custos de frete;
- Aumentar a segurança operacional, com vão maior, pista mais larga e barreiras adequadas ao tráfego pesado;
- Diminuir a pressão sobre o transporte por balsas e reequilibrar a economia regional.
Alerta técnico — Para o diretor técnico-científico da PF, Roberto Reis Monteiro Neto, o caso é um sinal ao país: com manutenção adequada, reavaliação periódica de cargas e ações preventivas, tragédias como a de Estreito podem e devem ser evitadas.
Próximo marco: com 75% do cronograma concluído, a expectativa oficial é entregar a ponte até o fim de dezembro, permitindo que a BR-226 volte a operar sem o gargalo no rio Tocantins.






