Uma imagem dos Lençóis Maranhenses captada do espaço voltou a colocar um dos principais destinos turísticos do Brasil em evidência internacional. Divulgado pela Nasa, o registro mostra o contraste entre as extensas dunas de quartzo branco e as centenas de lagoas de água doce espalhadas pelo parque nacional.
A fotografia foi produzida em 8 de junho de 2026 pelo instrumento OLI, instalado no satélite Landsat 9. Inicialmente apresentada pelo Observatório da Terra da Nasa como imagem do dia em 5 de agosto, ela ganhou nova repercussão após ser compartilhada nas redes sociais da agência espacial norte-americana.
Na publicação, a Nasa classificou os Lençóis Maranhenses como um “deserto feito de água”. A expressão está relacionada à aparência do lugar, embora a região não seja tecnicamente um deserto.
Segundo a agência, o parque recebe aproximadamente 125 centímetros de chuva por ano — volume ligeiramente superior ao de Seattle, nos Estados Unidos, e duas vezes maior que o registrado em Londres, na Inglaterra.
Lagoas atingem maior volume após período chuvoso
As chuvas ficam acumuladas nas depressões entre as dunas por causa de uma camada parcialmente impermeável de rocha e argila existente sob a areia. O fenômeno permite a formação das lagoas temporárias que caracterizam a paisagem.

As imagens divulgadas foram captadas em junho, época em que os níveis das lagoas costumam chegar ao ponto mais alto. Com a diminuição das chuvas entre agosto e novembro, o lençol freático baixa e a maioria delas pode secar até dezembro.
As cores também variam conforme a profundidade. Lagoas mais rasas aparecem em tons de azul-claro, turquesa ou verde por causa da reflexão da luz na areia. Nas mais profundas, a água tende a apresentar uma coloração azul-escura.
A Nasa destacou ainda que algumas dunas alcançam cerca de 30 metros de altura. Impulsionadas pelos ventos, elas podem avançar de quatro a 25 metros por ano. Em determinadas áreas, o campo de dunas se deslocou aproximadamente 500 metros para oeste entre 1986 e 2026.
Paisagem maranhense chegou aos cinemas
A projeção internacional dos Lençóis Maranhenses não começou com a nova imagem de satélite. Em 2018, a paisagem do parque foi utilizada na construção visual de Vormir, planeta fictício apresentado em Vingadores: Guerra Infinita, produção da Marvel Studios.
A aparência incomum da região, com dunas brancas recortadas por lagoas, ajudou a criar a atmosfera de outro mundo exigida pelo filme. A produção levou imagens do destino maranhense a milhões de espectadores em diversos países.
Lençóis entraram em lista do The New York Times
Em 2023, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses apareceu na 11ª colocação da tradicional lista de destinos recomendados pelo jornal norte-americano The New York Times.
A publicação ressaltou as dunas, as lagoas sazonais e o isolamento da região. Entre as experiências recomendadas estavam caminhadas sobre a areia, banhos nas lagoas, passeios a cavalo e voos panorâmicos.
A presença em rankings e produções estrangeiras contribuiu para ampliar a procura pelo destino, principalmente entre turistas interessados em natureza, aventura e ecoturismo.
Reconhecimento como Patrimônio Mundial
O principal reconhecimento internacional veio em julho de 2024, quando o parque recebeu da Unesco o título de Patrimônio Natural da Humanidade. A decisão foi tomada durante a 46ª reunião do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Nova Déli, na Índia.
A área reconhecida possui 156.562 hectares e está localizada em uma faixa de transição entre três biomas: Amazônia, Cerrado e Caatinga. Mais da metade do território é formada por campos de dunas costeiras, lagoas temporárias e corpos d’água permanentes.
Para a Unesco, o parque apresenta valor universal excepcional por suas características geológicas, geomorfológicas e paisagísticas, além da importância para a conservação da biodiversidade. O local reúne mais de 850 espécies já documentadas, segundo as informações compiladas pela Nasa.
Como visitar os Lençóis Maranhenses
O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses permanece aberto à visitação durante todo o ano. A paisagem, entretanto, muda conforme o regime de chuvas e o volume de água acumulado.
Barreirinhas e Santo Amaro estão entre as principais bases utilizadas pelos visitantes. Também existem acessos pela região de Atins e por municípios como Primeira Cruz, Humberto de Campos e Paulino Neves.
Barreirinhas fica a aproximadamente 258 quilômetros de São Luís e concentra a maior estrutura turística da região, com hotéis, pousadas, restaurantes e agências de passeio. O deslocamento terrestre a partir da capital costuma durar cerca de quatro horas.
Santo Amaro está situada a aproximadamente 238 quilômetros de São Luís e oferece acesso rápido a vários circuitos de lagoas por estar localizada junto aos limites do parque. A viagem terrestre desde a capital dura, em média, três horas e meia.
O período entre junho e setembro geralmente concentra as melhores condições para os passeios, pois reúne menor frequência de chuvas e lagoas ainda abastecidas. O acesso às áreas de dunas deve ser feito com veículos credenciados e acompanhamento de condutores autorizados.





