Era sexta-feira, 12 de setembro, quando a Polícia Militar Ambiental de Umuarama seguiu uma pista até uma área isolada de mata fechada, em Icaraíma, noroeste do Paraná. O silêncio da floresta só era quebrado pelo ronco da escavadeira. O chão, remexido e coberto por lonas, guardava algo mais do que terra e raízes.
Aos poucos, a máquina revelou o contorno de um veículo. A pintura manchada pela terra não deixava dúvidas: tratava-se do Fiat Toro no qual haviam sido vistos pela última vez Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza — quatro homens que desapareceram em 5 de agosto, depois de viajarem de São José do Rio Preto (SP) ao interior do Paraná para cobrar uma dívida.
O delegado Thiago Andrade, de semblante tenso, confirmou no local: “É o carro das vítimas. Estava enterrado como se fosse um bunker, coberto por plástico.” A suspeita, mais sombria do que nunca, é que os corpos possam estar por perto.
A viagem sem volta
O caso começou no dia 4 de agosto, quando Robishley, Rafael e Diego seguiram rumo ao Paraná. Em Icaraíma, encontraram Alencar, que os contratara para a cobrança. Foram vistos pela última vez no balcão de uma padaria, às 10h do dia seguinte. Duas horas depois, o contato com as famílias cessou. Desde então, nada além de silêncio.

As investigações logo apontaram para um acerto de contas mal resolvido. Uma propriedade rural vendida por R$ 255 mil nunca teve suas parcelas pagas. Emboscada, dívida e desaparecimento se entrelaçam em uma trama que passou a ser tratada como crime de homicídio pela Polícia Civil.
Os suspeitos e o vazio
Na mira da polícia estão Antonio Buscariollo, 66 anos, e Paulo Ricardo, 22. Pai e filho chegaram a prestar depoimento, mas desapareceram logo depois, tornando-se foragidos. Desde então, a investigação sugere que possam ter arquitetado a armadilha que levou ao sumiço dos quatro homens.
O secretário de Segurança do Paraná, coronel Hudson Teixeira, deixou escapar uma frase que ecoa como prenúncio: “Se fosse só a caminhonete, não precisaria de tantas lonas.”
Enquanto escavadeiras reviram a terra e familiares oferecem R$ 50 mil de recompensa por informações, a cidade de Icaraíma vive sob a sombra de um crime que parece ter sido planejado com frieza. O mistério agora não é apenas quem matou — mas quando a verdade, enfim, virá à tona.






