O período de férias escolares reacende uma tradição popular no Maranhão: empinar pipas. A brincadeira, comum em bairros e periferias, especialmente durante o mês de julho, voltou a preocupar autoridades. Dados divulgados pela Equatorial Maranhão apontam que mais de 1.100 ocorrências envolvendo pipas na rede elétrica foram registradas apenas nos seis primeiros meses de 2025.
O levantamento revela que a capital maranhense lidera o ranking, com 393 casos, seguida por Imperatriz (77), São José de Ribamar (58), Timon (35) e Rosário (27). As estatísticas chamam atenção pelo impacto direto no fornecimento de energia e pelo alto risco de acidentes, muitos deles com potencial letal.
Entre os fatores que agravam o problema está o uso ilegal de cerol e linha chilena, materiais cortantes compostos por vidro moído e, em alguns casos, pó metálico. Além de provocar lesões graves, essas substâncias funcionam como condutores de eletricidade, potencializando choques em caso de contato com fios de alta tensão.
“Já tivemos situações em que a linha danificou o revestimento dos cabos e provocou curtos-circuitos. Há também relatos de pessoas eletrocutadas ao tentarem resgatar pipas com hastes metálicas”, alerta Gabriel Vieira, executivo de Segurança da Equatorial Maranhão.
Riscos, proibição e cuidados
O uso do cerol é proibido no estado desde 2020, conforme prevê a Lei Estadual nº 11.344, que veta a comercialização da substância. Mesmo assim, sua presença nas ruas ainda é comum, especialmente em bairros periféricos, onde a fiscalização é mais difícil.
Segundo a Equatorial, empinar pipas próximo à rede elétrica compromete diretamente o sistema de distribuição de energia. Quando linhas enroscam nos fios, o atrito pode danificá-los ou até rompê-los. Em alguns casos, a brincadeira acaba deixando bairros inteiros sem luz por horas.
Prática segura é possível
Para manter a tradição sem riscos, a recomendação é brincar em locais abertos, longe da rede elétrica, como campos de futebol, praias ou terrenos descampados. Outro ponto importante é a supervisão de adultos: crianças e adolescentes devem ser acompanhados o tempo todo.
Em caso de emergência, a orientação é clara: não se aproxime de fios caídos, nem tente recuperar pipas presas nos cabos. O indicado é entrar em contato com a Central 116 da Equatorial Maranhão, além dos serviços de emergência como Samu (192) e Bombeiros (193).
Recomendações da Equatorial Maranhão:
- Evite empinar pipas perto de postes ou cabos de energia;
- Nunca tente recuperar pipas presas na rede elétrica;
- Não use cerol ou linha chilena — são perigosos e ilegais;
- Prefira locais amplos e arejados, como campos e praias;
- Fique atento ao clima: dias de chuva ou ventania devem ser evitados.
Com responsabilidade e atenção, a pipa pode continuar sendo símbolo de infância, liberdade e férias – sem causar acidentes ou colocar vidas em risco.






