Operação contra fraudes milionárias em fintechs prende suspeitos no Maranhão

Investigação aponta desvio de R$ 322 milhões em esquema de golpes digitais, incluindo ligação com o "Faraó dos Bitcoins.
Alex Maylon Passinho Dominici, Celis de Castro Medeiros Júnior, Saulo Zanibone de Paiva e Yago de Araujo Silva (Foto: Reprodução)

Uma operação contra um esquema milionário de fraudes financeiras envolvendo fintechs resultou na prisão de suspeitos no Maranhão nesta quarta-feira (4). A ação integra a Operação Pecunia Obscura, conduzida pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, com apoio da Polícia Civil do Maranhão.

Segundo as investigações, o grupo criminoso teria desviado cerca de R$ 322 milhões ao longo de cinco anos por meio de golpes aplicados em plataformas de serviços financeiros digitais. Até a última atualização da operação, três pessoas haviam sido presas, duas delas em território maranhense.

Entre os detidos estão Alex Maylon Passinho Dominici e Celis de Castro Medeiros Júnior, capturados no Maranhão. Já Yago de Araújo Silva foi preso no Rio de Janeiro, enquanto Saulo Zanibone de Paiva segue foragido.

Mandados e bloqueio milionário

No total, a operação cumpre quatro mandados de prisão preventiva e 23 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e Maranhão. A Justiça também determinou o sequestro de bens móveis e imóveis, além do bloqueio de até R$ 150 milhões vinculados aos investigados.

Os suspeitos foram denunciados pelos crimes de organização criminosa, estelionato, falsificação de documento público, uso de documento falso e lavagem de dinheiro.

Como funcionava o esquema

As investigações tiveram início em março de 2021, após uma fintech denunciar um golpe de aproximadamente R$ 1 milhão. A partir da análise do caso, os investigadores identificaram um esquema muito mais amplo de fraudes digitais.

De acordo com o inquérito, o grupo explorava falhas sistêmicas em plataformas de pagamentos e serviços financeiros digitais. Apenas em uma das empresas lesadas, foram identificadas pelo menos 238 contas digitais abertas com documentos falsos utilizadas nas operações fraudulentas.

Com o avanço das apurações, as autoridades acionaram o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que identificou movimentações financeiras muito superiores ao valor inicialmente denunciado.

Lavagem de dinheiro e criptomoedas

Para ocultar os valores obtidos de forma ilícita, os investigados teriam estruturado um complexo sistema de lavagem de dinheiro.

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, o esquema incluía:

  • uso de criptomoedas para dificultar o rastreamento das transações;
  • simulação de compra e venda de veículos;
  • aquisição de terrenos e imóveis;
  • utilização de empresas de fachada para movimentar recursos.

Parte significativa do dinheiro, ainda segundo os promotores, teria sido enviada para o exterior por meio de plataformas de criptoativos, dificultando a recuperação dos valores.

Conexões investigadas

Durante a apuração, chamou a atenção dos investigadores a existência de transações financeiras realizadas por Yago de Araújo Silva em favor da empresa GAS Consultoria, ligada a Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”.

Apesar das conexões identificadas, Glaidson não é alvo desta fase da operação, segundo as autoridades.

A investigação segue em andamento para identificar outros envolvidos e rastrear os valores desviados pelo grupo criminoso.

Com informações do Bom Dia Rio