A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (13), mais uma fase da Operação Overclean, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares, além de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O principal alvo da ação é o deputado federal Félix Mendonça Jr., de 62 anos, filiado ao PDT da Bahia.
As investigações contam com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal. Ao todo, estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão, autorizados pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).
As ordens judiciais são executadas em Brasília (DF) e em municípios da Bahia, incluindo Salvador, Mata de São João e Vera Cruz. Esta é a nona fase da Operação Overclean. Na capital baiana, um dos mandados é cumprido no edifício Mansão Windberger, localizado no Corredor da Vitória, área nobre da cidade.
O edifício, de alto padrão, possui vista para a Baía de Todos-os-Santos, acesso direto ao mar, píer para embarcações e até teleférico. Os apartamentos podem chegar a 993 metros quadrados, com valores que ultrapassam R$ 55 milhões. No local, residem personalidades conhecidas, como o cantor Bell Marques e o jogador de futebol Everton Ribeiro.
Natural de Itabuna, Félix Mendonça Jr. é filho do ex-deputado federal Félix Mendonça, que morreu em 2020, aos 92 anos, vítima da Covid-19, em Salvador. Ele foi eleito deputado federal pela primeira vez em 2010 e mantém o mandato desde então.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que o parlamentar declarou cerca de R$ 3 milhões em bens nas eleições de 2022. Entre eles, uma casa na Praia do Forte, avaliada em R$ 660 mil, e uma embarcação estimada em R$ 200 mil.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, todos os endereços alvos das buscas desta terça-feira têm ligação direta com o deputado, incluindo residências e escritórios. Até o momento, a assessoria de Félix Mendonça Jr. não se manifestou sobre a operação.
Esta não é a primeira vez que o parlamentar é alvo da Polícia Federal no âmbito da Overclean. Em junho do ano passado, durante a quarta fase da operação, mandados também foram cumpridos contra o deputado, um assessor e prefeitos de municípios baianos. Na ocasião, dois prefeitos afastados foram presos em flagrante.
O STF determinou ainda o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas, com o objetivo de interromper a circulação de valores de origem ilícita.
De acordo com as apurações, o esquema funcionava por meio da destinação de recursos de emendas parlamentares para licitações previamente direcionadas. Servidores públicos facilitavam a contratação de empresas que, após vencerem os certames, superfaturavam os contratos, possibilitando o desvio de dinheiro público.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro. A primeira fase da Operação Overclean foi deflagrada em dezembro de 2024, quando 59 mandados judiciais foram cumpridos e 16 pessoas foram presas nos estados da Bahia, São Paulo e Goiás.






