O uso de emendas parlamentares para financiar clubes de futebol tem crescido no Congresso Nacional. Um levantamento identificou que, entre 2023 e 2025, pelo menos R$ 13,5 milhões foram repassados a 31 equipes de diferentes estados, muitas vezes sob a justificativa de apoio a projetos sociais nas categorias de base. No entanto, em alguns casos, parte dos recursos acabou chegando também ao time profissional.
O senador Renan Calheiros (MDB-AL), torcedor declarado do CSA, é um dos nomes mais conhecidos dessa lista. Presente no estádio Rei Pelé na conquista da Série C de 2017, o parlamentar enviou, no ano passado, R$ 1 milhão ao clube alagoano.
Documentos apresentados pelo próprio CSA ao Ministério do Esporte mostram que parte da verba custeou salários de integrantes da comissão técnica e do departamento médico que atendem o elenco principal. A presidente do clube, Mirian Monte, afirma que a prioridade foi manter a base funcionando, mas reconhece que o valor também ajudou no apoio à equipe profissional.
Além de Renan, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) destinou R$ 1,5 milhão ao Operário Futebol Clube, de Campo Grande, dividindo a verba entre o time feminino (R$ 1 milhão) e o masculino (R$ 500 mil). Já em Minas Gerais, o Ideal Futebol Clube, de Ipatinga, lidera o ranking dos repasses: recebeu R$ 2,5 milhões, fruto de emendas dos deputados Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG) e Rosângela Reis (PL-MG). Outros exemplos incluem o União Futebol Clube, de Divino, que recebeu R$ 400 mil de Nikolas Ferreira (PL-MG), e o Operário Esporte Clube, de Raul Soares, beneficiado com a mesma quantia pelo deputado Lincoln Portela (PL-MG).
O Ministério do Esporte afirma que, se for comprovada a aplicação dos recursos em atividades fora do objeto da emenda, os clubes serão obrigados a devolver o dinheiro. O crescimento desses repasses coincidiu com as restrições impostas pelo STF ao uso de emendas para ONGs e prefeituras, e contrasta com a realidade de cidades que ainda enfrentam graves problemas estruturais, como saneamento precário e obras públicas paralisadas.
Com informações de Patrik Camporez – O Globo






