A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (25), a Operação Fallax para investigar um esquema de fraudes bancárias e lavagem de dinheiro que pode ultrapassar R$ 500 milhões. No centro das apurações está o Grupo Fictor, apontado como peça-chave de uma estrutura que também teria sido utilizada por integrantes do Comando Vermelho.
Segundo reportagem de Alexa Salomão, do jornal Folha de São Paulo, entre os pontos que ampliaram a repercussão do caso está a menção ao empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República.
Conforme a Folha, Lulinha teria atuado como consultor do grupo e mantido proximidade com o empresário Luiz Phillippe Rubini, ex-sócio da Fictor.
🔍 Estrutura do esquema
De acordo com a Polícia Federal, o modelo investigado se baseava na criação em massa de empresas de fachada, utilizadas para simular movimentações financeiras e obter crédito bancário de forma fraudulenta.
Essas empresas apresentavam dados contábeis manipulados, com faturamento artificialmente elevado, permitindo acesso a empréstimos e facilitando a circulação de recursos ilícitos. O dinheiro, após passar por esse circuito, era convertido em bens de luxo e criptoativos, dificultando o rastreamento.
A investigação também aponta a participação de funcionários de instituições financeiras, que inseriam informações falsas em sistemas internos para viabilizar operações irregulares.
💰 Conexão com o crime organizado
Segundo a PF, células do Comando Vermelho utilizavam a mesma estrutura para lavar dinheiro do tráfico de drogas. O compartilhamento do modelo revelou, conforme os investigadores, um “ecossistema criminoso” que integrava operadores financeiros, empresários e integrantes de facções.
A Operação Fallax resultou na prisão de ao menos 15 pessoas, incluindo gerentes de bancos públicos e privados. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em três estados, além de bloqueio de bens e ativos financeiros.
🧾 Papel do Grupo Fictor
A PF aponta que o Grupo Fictor funcionava como núcleo financeiro do esquema, responsável por estruturar empresas fictícias, simular fluxos de caixa e ampliar a capacidade operacional das fraudes.
O CEO da empresa, Rafael de Gois, foi alvo de mandados de busca. Já o ex-sócio Luiz Phillippe Rubini também foi alvo de medidas judiciais, incluindo quebra de sigilo bancário.
O grupo enfrenta crise desde 2024, após tentativa frustrada de aquisição do Banco Master e uma sequência de retiradas bilionárias de investidores, que culminaram em pedido de recuperação judicial com dívidas superiores a R$ 4 bilhões.
🗣️ Citação a Lulinha e defesa
Segundo relatos mencionados na apuração da Folha, Lulinha teria sido contratado para aproximar o grupo do governo federal. Pessoas ligadas à empresa afirmam que essa atuação teria facilitado a indicação de Rubini a espaços institucionais.

A defesa de Lulinha nega qualquer relação comercial com a Fictor. Advogados afirmam que ele apenas conhece Rubini e classificam a inclusão do nome no caso como tentativa de associação indevida.
Os representantes também destacam que Lulinha não exerce função pública nem possui influência sobre decisões governamentais.
⚖️ Crimes investigados
Os investigados podem responder por organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, corrupção e crimes contra o sistema financeiro nacional. As penas, somadas, podem ultrapassar 50 anos de prisão.
A Polícia Federal segue com as investigações para identificar todos os envolvidos e dimensionar o alcance total do esquema.
Com informações da Folha, TV Globo e g1 SP






