Prefeito acusado de matar PM se licencia e vice assume em Igarapé Grande

Vereadores deram posse à vice-prefeita Maria Etelvina (PDT), que assumirá interinamente a chefia do Executivo.
Prefeito acusado de matar PM se licencia e vice assume em Igarapé Grande
Vice-prefeita Maria Etelvina assumiu interinamente a chefia do Executivo (Foto: Reprodução)

A Câmara Municipal de Igarapé Grande aprovou, na manhã desta quarta-feira (9), o pedido de licença do prefeito João Vítor Xavier (PDT), que admitiu ter atirado e matado o soldado da Polícia Militar Geidson Thiago dos Santos, de 39 anos, no último domingo (6), durante uma vaquejada no município de Trizidela do Vale. Em seguida, os vereadores deram posse à vice-prefeita Maria Etelvina (PDT), que assumirá interinamente a chefia do Executivo.

O pedido de afastamento, com duração inicial de 120 dias, foi enviado à Câmara na tarde de terça-feira (8). No documento, o prefeito alega motivos de saúde como justificativa para o afastamento e afirma que pode retornar ao cargo antes do fim do prazo, caso se recupere.

Todos os nove vereadores votaram a favor da licença. Na mesma sessão extraordinária, foi realizada a posse oficial da vice-prefeita.

Investigação e pedido de prisão

Ainda na terça-feira (8), a Polícia Civil do Maranhão solicitou a prisão preventiva do prefeito. O pedido foi protocolado pelo delegado Ferro, da 14ª Delegacia Regional de Pedreiras, responsável pela investigação do caso. Também foi solicitada busca e apreensão na residência do gestor.

A representação foi encaminhada ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) e inicialmente distribuída ao Órgão Especial. No entanto, o relator, desembargador Jorge Rachid, decidiu pela redistribuição para a Câmara Criminal do TJ, por se tratar de matéria penal.

A informação sobre o pedido de prisão foi confirmada pelo secretário estadual de Segurança Pública, Maurício Martins, nas redes sociais. Ele afirmou que a investigação avança e que o compromisso das forças de segurança é com a apuração rigorosa dos fatos.

“Reiteramos nossa solidariedade à família, amigos e companheiros de farda do soldado Dos Santos, e reafirmamos o compromisso com a verdade e a justiça”, declarou o secretário.

Arma não foi localizada

João Vítor se apresentou voluntariamente na Delegacia de Presidente Dutra na segunda-feira (7), acompanhado de um advogado, e prestou depoimento. Ele afirmou que atirou em legítima defesa, mas confirmou que não possuía porte de arma e que o revólver utilizado foi descartado após o crime. A arma, segundo o próprio prefeito, teria sido presente de um eleitor e segue desaparecida.

Por ter se apresentado espontaneamente, o prefeito não foi detido naquele momento.

O crime

O assassinato ocorreu na noite de domingo (6), durante uma vaquejada no Parque Maratá, em Trizidela do Vale. Imagens de câmeras de segurança mostram João Vítor deixando o local rapidamente após os disparos, acompanhado por amigos.

De acordo com o 19º Batalhão da Polícia Militar, a confusão teria começado após o soldado Geidson, que estava de folga, abordar o prefeito para reclamar do farol alto de um veículo que incomodava o público presente.

Segundo relato do tenente-coronel Aguiar, comandante do 19º BPM, testemunhas informaram que o prefeito se dirigiu ao carro, pegou uma arma e atirou pelas costas contra o policial. Foram registrados cinco disparos: três nas costas, um no ombro e outro no braço.

“Todas as testemunhas ouvidas até o momento relatam que a vítima foi surpreendida por trás, sem chance de defesa”, afirmou o comandante.

A versão contraria o depoimento de familiares do prefeito, que sustentam a tese de legítima defesa.

O soldado Geidson foi socorrido no Hospital Municipal de Pedreiras e transferido para o Hospital Geral de Peritoró. Ele chegou a passar por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos.

O caso segue em investigação, e a expectativa é de que o Tribunal de Justiça analise nos próximos dias o pedido de prisão preventiva do prefeito afastado.