Prefeito de São Bernardo do Campo é afastado após operação da PF

Servidor da Alesp flagrado com R$ 14 milhões em espécie é apontado como operador financeiro do prefeito.
Prefeito de São Bernardo do Campo é afastado após operação da PF
Montente em espécie apreendido durante operaçao da PF (Foto: Divulgação)

O prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima (Podemos), foi afastado do cargo por decisão judicial nesta quinta-feira (14), por um período de um ano, após a deflagração da Operação Estafeta, conduzida pela Polícia Federal (PF). A investigação apura um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento ilícito em contratos públicos, envolvendo áreas como saúde, obras e manutenção da cidade.

A apuração ganhou força após a apreensão de aproximadamente R$ 14 milhões em espécie — incluindo parte em dólares — no mês passado, com Paulo Iran, servidor da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), apontado como operador financeiro do prefeito. A quantia foi localizada durante diligências da PF em um prédio na capital paulista, onde Iran estava com R$ 583 mil em seu carro e outros R$ 12,2 milhões e US$ 157 mil escondidos em uma sala comercial. Desde então, o servidor está foragido, e há mandado de prisão expedido contra ele.

Além do afastamento de Marcelo Lima, a Justiça determinou monitoramento eletrônico por tornozeleira, restrições de deslocamento noturno e nos fins de semana, além da proibição de contato com outros investigados.

A vice-prefeita Jéssica Cormick (Avante), de 38 anos, sargento da Polícia Militar, assumiu o comando do município. Ela tem 38 anos e é sargento da PMSP desde 2005.

Jéssica Cormick assumiu o comando do município (Foto: Divulgação)

Jéssica se afastou da corporação no ano passado, ao ser convidada pelo então deputado federal e candidato Marcelo Lima (Podemos) para ser vice na chapa dele.

Empresário preso

A operação também resultou na prisão do empresário Edmilson Carvalho, sócio de empresa contratada pela prefeitura, e do servidor Antonio Rene da Silva, diretor de departamento da Secretaria de Coordenação Governamental.

A PF ainda cumpre 20 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Bernardo, São Paulo, Santo André, Mauá e Diadema, com medidas de quebra de sigilo bancário e fiscal. Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A investigação aponta que o operador Paulo Iran tinha forte ligação pessoal com Marcelo Lima, sendo responsável por pagar contas do prefeito, de sua esposa e da filha. Iran era assessor do deputado Rodrigo Moraes (PL), que anunciou sua exoneração após a repercussão do caso. Segundo a PF, os indícios sugerem o uso de contratos públicos como instrumento para desvio de verbas e pagamento de propinas.

A operação também atingiu nomes próximos ao prefeito. O vereador Danilo Lima Ramos (Podemos), presidente da Câmara e primo de Marcelo Lima, foi alvo de buscas, assim como o suplente de vereador Ary José de Oliveira (PRTB). As investigações seguem em curso e devem avançar sobre a rede de relações políticas e empresariais envolvidas no suposto esquema.