Reportagem do Wall Street Journal aponta expansão global do PCC

Matéria revela atuação em rotas internacionais de cocaína, descrevendo a facção como “multinacional do crime”.
Reportagem do Wall Street Journal aponta expansão global do PCC
Marcola é considerado um dos nomes mais importantes do PCC (Foto: Jorge William)

Uma reportagem publicada pelo The Wall Street Journal traça um panorama da expansão do Primeiro Comando da Capital, apontando como a facção brasileira passou a operar em escala global no narcotráfico. Segundo a análise, o grupo deixou de atuar de forma concentrada no Brasil para se consolidar como uma organização com estrutura comparável à de grandes corporações.

Fundado em 1993, após o Massacre do Carandiru, o PCC evoluiu de uma organização formada dentro do sistema prisional para uma rede internacional com presença em diferentes continentes. Um dos principais eixos dessa expansão está na logística do tráfico, com destaque para o uso do Porto de Santos como rota de saída de drogas para a Europa.

De acordo com a reportagem, o grupo utiliza métodos sofisticados, como o “rip-on/rip-off”, em que cargas ilícitas são inseridas em contêineres de empresas legítimas sem o conhecimento dos exportadores. A atuação também se expandiu para outros portos brasileiros, incluindo áreas do Nordeste e o terminal de Paranaguá, aproveitando lacunas na fiscalização.

No cenário internacional, a facção mantém articulações com a ‘Ndrangheta, uma das principais organizações criminosas da Europa. Nesse arranjo, o PCC atua como fornecedor em larga escala, enquanto o grupo italiano é responsável pela distribuição. A diferença de preços entre a origem e o destino da droga sustenta a lucratividade da operação.

Internamente, o PCC funciona de forma descentralizada, organizado em núcleos conhecidos como “sintonias”, responsáveis por áreas específicas como expansão territorial, coordenação de ações e gestão financeira. A reportagem aponta ainda o uso crescente de criptomoedas para lavagem de dinheiro e a contratação de especialistas, como mergulhadores e hackers, para viabilizar operações logísticas e tecnológicas.

Outro eixo estratégico citado é a África Ocidental, com países como Guiné-Bissau e Cabo Verde sendo utilizados como pontos intermediários no transporte da droga até a Europa. Portugal aparece como uma das portas de entrada, favorecido por fatores linguísticos e comerciais.

O modelo de atuação do grupo é descrito como semelhante ao de uma franquia, no qual membros seguem regras internas e contribuem financeiramente, mas mantêm autonomia operacional. Essa flexibilidade, segundo o jornal, tem sido determinante para a rápida expansão internacional.

O avanço do PCC já impacta a dinâmica de segurança em diferentes países. Regiões como Paraguai e Equador registram aumento da violência associado à disputa por rotas do tráfico. Ao mesmo tempo, autoridades enfrentam desafios para conter a organização, que continua a coordenar operações a partir de presídios, utilizando mecanismos que dificultam o controle estatal.