Roseana Sarney detalha tratamento contra câncer de mama triplo-negativo

Ex-governadora de 72 anos foi diagnosticada em agosto e passa por quimioterapia e imunoterapia no Hospital Sírio-Libanês.
Roseana Sarney detalha tratamento contra câncer de mama triplo-negativo
Aos 72 anos, a deputada federal Roseana Sarney trata um câncer de mama triplo-negativo no Sírio-Libanês (Foto: Maria Isabel Oliveira)

A deputada federal e ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (MDB), 72 anos, revelou que está em tratamento contra um câncer de mama do tipo triplo-negativo, considerado agressivo e raro em sua faixa etária. O tumor foi identificado em agosto deste ano, durante um check-up em São Paulo, e, segundo ela, vem respondendo bem à combinação de quimioterapia e imunoterapia realizada no Hospital Sírio-Libanês.

Roseana contou que decidiu viajar à capital paulista após perder peso sem explicação. A princípio, o objetivo era investigar outra suspeita e realizar uma colonoscopia. Como estava com exames de rotina defasados, avisou sua ginecologista, Marianne Pinotti, que sugeriu a atualização dos exames, incluindo a mamografia.

O câncer foi detectado no primeiro exame de mama. A ex-governadora relatou que, ao fim da mamografia, foi chamada para repetir o procedimento — e, ao retornar ao quarto, encontrou a equipe médica reunida para comunicar o diagnóstico de câncer de mama triplo-negativo. Exames complementares descartaram metástase. “Vim passar cinco dias em São Paulo e estou há três meses sem sair daqui”, afirmou.

Tratamento intenso e rotina no hospital

Roseana está internada regularmente no Sírio-Libanês e já completou a 12ª aplicação de medicamentos da primeira etapa do tratamento, que combina quimioterapia e imunoterapia. Segundo ela, ainda fará mais quatro sessões, a cada 21 dias, com outra medicação e, no início de 2025, deverá passar por cirurgia.

A parlamentar relata que chega ao hospital aos domingos para realizar exames prévios e permanece internada por cerca de três dias. Em alguns momentos, precisou de transfusão de sangue e atendimento emergencial, como em um episódio recente de queda brusca de pressão. “Costumo dizer que esse é um tratamento para gente grande”, resume.

Efeitos colaterais e adaptação

Os efeitos colaterais têm sido intensos. Roseana descreve uma coceira constante e manchas na pele, que pioram ao longo do dia, além de alterações na tireoide e perda parcial do paladar e do apetite. “Sinto o sabor de poucos alimentos”, relata, citando batata-doce, café com leite, caldo quente de verduras e sorvete de limão entre os poucos que ainda lhe trazem algum prazer.

Ela também relata cansaço, dificuldade de concentração e redução do ritmo de leitura e de consumo de filmes e séries. Para se distrair, tem acompanhado programas de culinária, decoração, futebol e as notícias, incluindo pautas como a COP e pesquisas políticas. Apesar do tratamento, afirma que segue trabalhando, ainda que em ritmo mais lento, e chegou a ter reunião recente com o presidente do MDB, Baleia Rossi.

Queda de cabelo, autoimagem e família

Com duas semanas de tratamento, Roseana teve queda intensa de cabelo, raspou a cabeça e chegou a comprar uma peruca, mas decidiu não usá-la. “Você não imagina como foi libertador”, afirmou, destacando que, no seu caso, assumir a cabeça raspada foi um alívio e não motivo de sofrimento.

Ela conta que a mãe reagiu com carinho à mudança de visual, enquanto o pai, o ex-presidente José Sarney, se impressionou ao vê-la sem cabelo. “Falei que ele teria de me ver assim, sim.”

Muito ligado à filha, Sarney recebeu o diagnóstico com medo e se apoiou na fé. Segundo Roseana, ele recorreu à devoção à Santa Dulce dos Pobres em busca de conforto. A família queria que ela passasse o Natal no Maranhão, mas, por recomendação médica, ela decidiu permanecer em São Paulo e deve celebrar a data ao lado do marido, Jorge Murad.

Histórico de saúde e postura diante da doença

Roseana Sarney já enfrentou outros problemas graves de saúde: cirurgias no intestino, retirada de nódulo no pulmão, aneurisma e um câncer de mama há mais de 20 anos. Ela reconhece que, aos 72 anos, o desafio é maior, mas diz manter o otimismo.

“Passar por um câncer aos 70 anos é diferente, o corpo está mais debilitado. Mas minha cabeça é muito boa. Tenho momentos de tristeza, mas não são desesperadores. Eu choro, depois rezo, canto, toco violão e passa rápido”, contou. A deputada afirma apoiar-se na fé, em orações e na leitura da Bíblia antes das internações, ao mesmo tempo em que destaca a importância da ciência e dos médicos no processo.

Sobre a morte, diz não sentir medo, mas teme o sofrimento prolongado e a perda de autonomia. A parlamentar afirma que já conversou com o marido sobre suas vontades para o futuro, caso enfrente um quadro em que não possa mais decidir por si. Ainda assim, faz questão de enfatizar que pretende lutar até o fim contra o câncer. “Vou batalhar com esse câncer, vamos ver quem será vencedor. Espero que seja eu.”

Com informações Adriana Dias Lopes — São Paulo