A morte de centenas de peixes em um igarapé da comunidade Terra do Rumo, na zona rural de São Luís, levou equipes municipais de saúde a investigar uma possível exposição de moradores a substâncias tóxicas. A visita ocorreu no sábado (17), após relatos de problemas respiratórios, coceira e lesões na pele.
Profissionais da Unidade de Saúde da Família do Coqueiro e técnicos da vigilância de riscos recolheram informações e elaboraram relatórios para orientar a apuração. Ainda não há confirmação de que os sintomas estejam relacionados à água do igarapé.
Segundo o técnico de vigilância dos riscos associados a desastres Sérgio Andrade, o levantamento busca identificar os problemas de saúde registrados na comunidade e avaliar quais situações precisam de investigação.
Comunidade relata mau cheiro e alteração na água
Além dos sintomas, moradores apontam mudanças na coloração da água e odor intenso. No início de outubro, a comunidade denunciou um suposto lançamento irregular de resíduos químicos e atribuiu a possível origem à fábrica da Solar, integrante do sistema Coca-Cola. Essa relação permanece sob apuração.
Entre os relatos está o de uma criança de 2 anos com pequenas lesões no peito e nas costas. A autônoma Renata Perria afirma que o menino apresenta coceira intensa e chega a se ferir ao coçar a pele.
Sema aguarda conclusão das análises
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) coletou amostras em quatro pontos do igarapé no dia 8 de outubro. O objetivo é esclarecer a causa da mortandade de peixes. Segundo a pasta, os exames continuam em andamento, e os resultados serão divulgados após a conclusão dos procedimentos.
O presidente do Instituto Reviva Rio, Márcio Cruz, relatou que uma tubulação rompida foi corrigida e que houve melhora na aparência da água. Ele ponderou, porém, que a mudança visual não permite concluir que eventuais substâncias tenham deixado o ambiente.
Já a presidente da Associação de Moradores da Terra do Rumo, Jéssica Brenda dos Santos, afirmou que a Solar comunicou à comunidade a adoção de medidas para tentar reduzir o mau cheiro.
Solar diz que mantém apuração e diálogo com moradores
Em nota, a Solar informou que continua investigando a situação e mantém contato com lideranças comunitárias e autoridades responsáveis.
A empresa também declarou que os efluentes da fábrica passam por tratamento de acordo com os parâmetros técnicos e legais e são destinados, por tubulação, a uma localidade situada a aproximadamente 3,5 quilômetros da unidade.
Até a conclusão das análises ambientais e da investigação em saúde, permanecem sem confirmação a causa da morte dos peixes e uma eventual ligação entre o episódio e os sintomas relatados pelos moradores.






