Suzane Richthofen entra na Justiça para disputar herança milionária do tio

Ela tenta assumir inventário de patrimônio estimado em R$ 5 milhões e enfrenta prima que conviveu com o médico.
Suzane Richthofen entra na Justiça para disputar herança milionária deixada por tio
Tio de Suzane, Miguel Abdalla Netto foi encontrado morto em casa (Foto: Reproduções)

Condenada a 39 anos de prisão por mandar matar os próprios pais, Suzane Richthofen voltou ao centro de uma nova disputa judicial. Desta vez, o embate envolve a herança estimada em cerca de R$ 5 milhões deixada por seu tio, o médico Miguel Abdala Netto, encontrado morto no último fim de semana em São Paulo.

A disputa pela sucessão começou antes mesmo do sepultamento. Suzane e Silvia Magnani, prima de primeiro grau do médico e companheira dele por aproximadamente 14 anos, travaram uma corrida na delegacia e no Instituto Médico Legal (IML) para liberar o corpo. Nesse primeiro confronto, Silvia obteve autorização e providenciou o enterro, realizado na terça-feira (13), em Pirassununga, cidade natal da família.

Segundo Silvia, o sepultamento não seguiu o desejo de Miguel, que queria ser enterrado ao lado da mãe e dos avós. O funeral foi simples e praticamente solitário, refletindo, segundo ela, os últimos anos de isolamento vividos pelo médico. “Só estava eu no cemitério”, afirmou.

Até o momento, apenas Suzane e Silvia se apresentaram como interessadas diretas no patrimônio deixado por Miguel. A prima afirma que o médico manifestava profunda desconfiança em relação à sobrinha, especialmente por conta do assassinato dos pais de Suzane, crime que também teria abalado emocionalmente Andreas von Richthofen, único herdeiro dos bens do casal morto em 2002.

Do ponto de vista jurídico, o cenário pode mudar caso exista um testamento. Pela legislação brasileira, metade do patrimônio pode ser destinada livremente pelo autor da herança, enquanto a outra metade deve respeitar a ordem de sucessão legal. Como Miguel não tinha filhos, pais nem irmãos vivos, os sobrinhos aparecem à frente dos primos. Na ausência de testamento, Suzane e Andreas teriam prioridade sobre Silvia.

A tentativa de localizar Andreas durante o fim de semana não teve sucesso. Ele estaria vivendo em endereço indefinido no litoral paulista. Com isso, a disputa prática ficou restrita às duas mulheres e deve avançar agora no Judiciário. Suzane já ingressou com uma ação pedindo a tutela do cadáver de Miguel, numa tentativa de assumir a posição de inventariante.

Miguel Abdala Netto foi encontrado morto dentro de casa, no bairro Campo Belo, zona sul de São Paulo, na madrugada de sábado (10). Um vizinho estranhou a falta de contato havia dois dias, pulou o muro e localizou o corpo, que já estava em estado avançado de decomposição. A Polícia Civil trata o caso como morte suspeita e aguarda laudos da perícia, embora a principal hipótese seja de ataque cardíaco fulminante, já que não havia sinais aparentes de violência.

A tensão em torno do patrimônio também se estendeu ao imóvel onde Miguel vivia. Suzane e Silvia procuraram, em momentos distintos, o vizinho que guarda a chave da casa. Ele informou que só entregará o acesso mediante ordem judicial.

Marcada por desconfiança e ressentimentos antigos, a disputa expõe não apenas um conflito patrimonial, mas também as cicatrizes de uma das histórias criminais mais emblemáticas do país, que continua produzindo desdobramentos mais de duas décadas depois do crime que chocou o Brasil.

Com informações de Ullisses Campbell