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	<title>operação resgata trabalhadores Archives - Portal VB | O universo da informação</title>
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	<title>operação resgata trabalhadores Archives - Portal VB | O universo da informação</title>
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		<title>80 trabalhadores são libertados de condições degradantes no Maranhão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[VInicius Bogéa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Aug 2025 18:54:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Capa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vítimas viviam em alojamentos precários, improvisados, expostas ao calor, à chuva e a insetos.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="">Entre os dias 13 e 27 de agosto, uma operação conjunta de fiscalização libertou <strong>80 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão</strong> nos municípios de <strong>Magalhães de Almeida</strong> e <strong>Barreirinhas</strong>, no Maranhão. A ação foi conduzida por Auditores-Fiscais do Trabalho, com apoio do <strong>Ministério Público do Trabalho (MPT)</strong>, da <strong>Defensoria Pública da União (DPU)</strong> e da <strong>Polícia Federal (PF)</strong>.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-palha-de-carnauba-miseria-e-abandono">Palha de carnaúba, miséria e abandono</h3>



<p class="">Em Magalhães de Almeida, 76 trabalhadores que atuavam na extração da palha de carnaúba foram encontrados em alojamentos precários, improvisados em casas de farinha desativadas, construções inacabadas e até quintais. Dormiam em redes presas a paredes de tijolos crus, varandas estreitas ou árvores, expostos ao calor, à chuva e a insetos.</p>



<p class="">A alimentação diária se resumia a arroz, feijão, farinha, rapadura e pequenos pedaços de carne, sem valor nutricional compatível com a atividade extenuante. A comida era preparada em fogareiros no chão e servida em bacias plásticas, consumida no próprio carnaubal, muitas vezes em pé ou encostados em cercas.</p>



<p class="">A água utilizada para beber e cozinhar era coletada em lagoas barrentas, também frequentadas por animais, e armazenada em recipientes reaproveitados de produtos químicos, sem qualquer filtragem. Banheiros não existiam — os trabalhadores recorriam ao mato e às mesmas lagoas usadas para banho, dividindo o espaço com gado e outros animais.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-pesca-em-alto-mar-sob-risco">Pesca em alto-mar sob risco</h3>



<p class="">Já em Barreirinhas, quatro pescadores foram resgatados antes de embarcarem em jornadas de até 15 dias em mar aberto, em condições igualmente insalubres.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-regularizacao-e-indenizacoes">Regularização e indenizações</h3>



<p class="">De acordo com a auditora-fiscal <strong>Gislene Stacholski</strong>, coordenadora da operação, os responsáveis foram notificados para regularizar os contratos, pagar verbas rescisórias e recolher FGTS e contribuições sociais. No total, foram pagos <strong>R$ 265 mil em indenizações</strong> aos trabalhadores resgatados.</p>



<p class="">A <strong>Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT)</strong> destacou que a cena encontrada em Magalhães de Almeida refletia um cotidiano de abandono, sem respeito à dignidade mínima dos trabalhadores.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-porto-de-barreirinhas">Porto de Barreirinhas</h3>



<p class="">No porto de Barreirinhas, quatro pescadores foram resgatados antes de iniciar uma viagem de até 15 dias em mar aberto. Os auditores verificaram que o alojamento no barco era um espaço reduzido e abafado, com apenas seis beliches de madeira estreitos, colchões rasgados e sem qualquer ventilação, localizado no mesmo compartimento onde funcionava o motor da embarcação.</p>



<p class="">Sem banheiro a bordo, os trabalhadores precisavam recorrer a baldes improvisados ou ao próprio mar para suas necessidades fisiológicas. O banho era restrito a água salgada, seguida por um enxágue improvisado com pequenas quantidades de água doce.</p>



<p class="">A alimentação também era limitada: arroz, feijão, macarrão e parte do peixe pescado, guardados de forma inadequada embaixo dos beliches, expostos ao calor e à umidade. Já a água doce para consumo e preparo dos alimentos era armazenada em tambores plásticos reutilizados, sem nenhuma garantia de potabilidade.</p>



<p class="">Segundo a <strong>Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT)</strong>, o quadro representava grave risco à saúde e à vida, pela ausência de condições mínimas de descanso, higiene, alimentação e dignidade. O órgão reforçou que tanto os pescadores quanto os trabalhadores da carnaúba foram <strong>recrutados, transportados, alojados e explorados em situação degradante</strong>, configurando o crime de <strong>tráfico de pessoas para fins de exploração laboral</strong> (art. 149-A, II, do Código Penal).</p>



<p class="">Para a SIT, as imagens colhidas durante a fiscalização expõem a <strong>“brutalidade de um modelo produtivo que nega dignidade, saúde e segurança a centenas de trabalhadores, mas abastece cadeias econômicas globais”</strong>.</p>



<p class="">As 80 pessoas resgatadas foram retiradas de um ciclo de miséria e exploração que caracteriza a <strong>escravidão contemporânea no Brasil</strong>. Elas terão direito a três parcelas do seguro-desemprego especial e foram encaminhadas para atendimento prioritário nos órgãos municipais e estaduais de assistência social.</p>



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