O traficante Celso Luiz Rodrigues, conhecido como Celsinho da Vila Vintém, um dos fundadores da facção Amigos dos Amigos (ADA), deixou o Complexo de Gericinó nesta segunda-feira (15). Ele cumprirá agora prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, conforme decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que o alvará de soltura foi cumprido por oficial de justiça. A decisão segue determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que substituiu a prisão preventiva pela domiciliar. O acusado terá até cinco dias para colocar a tornozeleira eletrônica. A defesa alegou motivos humanitários: a esposa de Celsinho estaria em tratamento contra um câncer metastático.
Prisão e investigações recentes
Celsinho foi preso em maio deste ano, na Vila Vintém, em Padre Miguel, Zona Oeste do Rio. Segundo a Polícia Civil, ele havia retomado articulações criminosas e se aliado ao Comando Vermelho (CV) — facção rival histórica da ADA — além de manter negociações com milicianos.
A investigação teve início em fevereiro, após a prisão em flagrante de oito traficantes armados na Vila Sapê, em Curicica. Os detidos afirmaram que haviam sido enviados por Celsinho para tomar a comunidade, até então dominada pela milícia chefiada por André Costa Bastos, o Boto, que, mesmo preso, teria negociado a “venda” da área.
O inquérito apontou ainda que Celsinho firmou um pacto com Edgar Alves de Andrade, o Doca (ou Urso), do Comando Vermelho. O acordo teria resultado em uma aliança inédita entre tráfico e milícia para consolidar o domínio de áreas da Zona Oeste, com divisão territorial e até execuções conjuntas, como a morte do miliciano dissidente Fábio Taca Bala.
“Existia uma aliança estratégica entre o Celsinho, o Boto e o Doca para tomarem áreas da Zona Oeste. Com isso, buscavam ampliar o controle do tráfico com estabilidade, sem confrontos diretos”, afirmou o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi.
Histórico criminal
Preso pela primeira vez em 1990, Celsinho tem longa ficha por tráfico de drogas, roubo e organização criminosa. Em 1996, voltou à prisão, mas fugiu dois anos depois, disfarçado de policial militar. Recapturado em 2002, chegou a admitir em entrevista ao jornal O Globo:
“Eu sou traficante. Vivo do tráfico. Sou bandido. Mas eu sou um cara devagar, não dou tiro na polícia. Eu fujo da polícia. Compro meu pozinho, minha maconha e vendo.”
À época, disse faturar cerca de R$ 50 mil por semana, comandando a venda de drogas em comunidades da Zona Oeste.
Boa parte das últimas duas décadas Celsinho passou em presídios federais, como o de Porto Velho (RO). Em 2017, foi transferido de volta ao Rio, onde voltou a ser alvo de investigações por suposta participação na invasão da Rocinha, mas a acusação acabou sendo contestada pelo Ministério Público, e a Justiça concedeu alvará de soltura em 2022.
Agora, volta a deixar o sistema penitenciário, desta vez para cumprir prisão domiciliar.
Com informações do g1 Rio e TV Globo






