Transporte Marina retoma parte das linhas semiurbanas em São Luís

Paralisação segue impactando mais de 30 bairros; Justiça pressiona empresas por salários atrasados.
Transporte Marina retoma parte das linhas semiurbanas em São Luís
Transporte Marina retomou operação de parte das linhas semiurbanas (Foto: Reprodução)

A paralisação no transporte público de São Luís entrou no 7º dia nesta quarta-feira (19), com impactos severos para milhares de passageiros que dependem do sistema para trabalhar, estudar e se deslocar pela cidade. Enquanto as empresas 1001 e Expresso Grapiúna permanecem completamente paralisadas — tanto nas linhas urbanas quanto nas semiurbanas — a Transporte Marina retomou parcialmente o atendimento, colocando gradualmente em circulação parte dos veículos que atendem municípios da Grande Ilha. A decisão ocorreu após uma reunião com a Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB), que liberou o pagamento do subsídio destinado à empresa.

Mesmo com a retomada parcial, as linhas urbanas da Marina continuam inoperantes, mantendo o cenário de dificuldades que afeta diretamente usuários de bairros como Cidade Olímpica, Vila Cascavel, Santa Clara, Cidade Operária, Maiobinha, Vila Vitória e dezenas de outras regiões importantes da capital. As empresas 1001 e Grapiúna, que seguem com 100% da frota parada, afirmam que o movimento grevista só será encerrado após o pagamento dos salários atrasados dos motoristas e cobradores. O impasse entre o Sindicato das Empresas de Transporte (SET) e a Prefeitura de São Luís, no entanto, permanece sem avanço.

De acordo com os empresários, a regularização da folha de pagamento depende do repasse integral do subsídio municipal. O SET acusa o município de enviar apenas 80% do valor devido. Já a Prefeitura sustenta que paga proporcionalmente à frota em circulação, que estaria reduzida pelas próprias empresas. Com a frota insuficiente e poucas alternativas para a população, os pontos de ônibus têm registrado longas filas e atrasos em horários de pico.

A crise chegou ao Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA), que intimou o SET a comprovar, em até 48 horas, o pagamento de salários e auxílio-alimentação referentes a outubro de 2025. A determinação, assinada pelo desembargador Luiz Cosmo da Silva Júnior, envolve as empresas Transporte Marina, Expresso Rei de França e Expresso Grapiúna. De acordo com o Sindicato dos Rodoviários (Sttrema), as empresas descumpriram liminar que previa reajuste de 7% nos salários e 10% no vale-alimentação. Caso a comprovação não seja apresentada, a Justiça poderá aplicar nova multa diária ao sindicato patronal, além de outras medidas coercitivas previstas no Código de Processo Civil.

Para reduzir os prejuízos à população durante a paralisação, a Prefeitura de São Luís anunciou a disponibilização de vouchers de R$ 30 para corridas por aplicativo — ida e volta — pagos pela Prefeitura. A iniciativa, semelhante à adotada em greves anteriores, visa garantir deslocamento mínimo durante o período crítico. Braide também mencionou a intenção de repassar o subsídio diretamente para uma conta judicial, afirmando que o pagamento deveria ser usado exclusivamente para quitar salários.

O TRT-MA, porém, esclareceu que não recebe valores diretamente de entes públicos para repasse a empresas privadas fora de um processo formalmente instaurado — o que não ocorre neste caso. Em decisão publicada nesta terça-feira (18), a juíza Noélia Maria Cavalcanti Martins e Rocha, da 5ª Vara do Trabalho de São Luís, extinguiu sem julgamento de mérito uma ação movida pela Prefeitura, alegando que apenas o Tribunal possui competência para analisar questões relacionadas à greve.

Sem acordo entre Prefeitura e SET e sem previsão oficial de encerramento, a paralisação segue causando transtornos graves à população, que busca alternativas em meio ao transporte público reduzido e à incerteza sobre quando a frota voltará a circular plenamente.