A Polícia Federal (PF) confirmou que amostras dos vírus Influenza H1N1 e H3N2, causadores da gripe tipo A, estavam entre o material biológico furtado do Laboratório de Virologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os micro-organismos ficaram desaparecidos por cerca de 40 dias e foram transportados sem autorização para outros laboratórios dentro da própria instituição.
Uma pesquisadora foi presa em flagrante e responderá em liberdade pelos crimes de furto, transporte irregular de material biológico e por colocar a saúde pública em risco. O marido dela, Michael Edward Miller, também é investigado por possível envolvimento no caso.
Segundo a PF, não houve contaminação externa, e todas as amostras foram recuperadas ainda dentro da universidade. Além dos subtipos H1N1 e H3N2, o material incluía outros vírus, tanto humanos quanto suínos. As amostras foram encaminhadas ao Ministério da Agricultura e Pecuária, que mantém sob sigilo detalhes sobre os agentes envolvidos.
🔬 Nível de biossegurança e riscos
O Laboratório de Virologia da Unicamp é classificado como nível 3 de biossegurança (NB-3), o mais alto atualmente em operação no Brasil para estudos com agentes infecciosos. Esse tipo de estrutura exige protocolos rigorosos de controle e manipulação.
Os vírus H1N1 e H3N2 são classificados como agentes de nível 2, considerados de risco moderado, comuns em casos de gripe sazonal. Já agentes de nível 3 podem causar doenças graves e possuem maior potencial de disseminação.
📍 Onde o material foi encontrado
As investigações apontaram que as amostras foram distribuídas em diferentes pontos dentro da universidade:
- Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA): caixas com amostras armazenadas em freezer lacrado
- Laboratório de Doenças Tropicais (Instituto de Biologia): tubetes manipulados e material descartado
- Laboratório de Cultura de Células (Instituto de Biologia): frascos descartados encontrados em lixeira
O material original havia desaparecido do Instituto de Biologia e foi localizado a cerca de 350 metros de distância.
📅 Cronologia do caso
- 13 de fevereiro: desaparecimento das amostras é identificado
- 23 de março: PF realiza operação e interdita laboratórios da FEA
- 23 de março: parte do material é encontrada e pesquisadora é presa
- 24 de março: restante das amostras é localizado em outro laboratório
- 24 de março: Justiça concede liberdade à suspeita
De acordo com a investigação, a pesquisadora não tinha autorização formal para acessar os laboratórios onde o material foi encontrado, mas conseguia entrar com o consentimento de outros profissionais.
⚖️ Defesa e investigação
A defesa da pesquisadora afirma que não há materialidade nas acusações e sustenta que ela utilizava espaços do Instituto de Biologia por não dispor de estrutura própria para suas pesquisas.
A Polícia Federal segue apurando o caso, incluindo a possível participação de outras pessoas. O foco da investigação é esclarecer as circunstâncias do furto, o transporte irregular e eventuais riscos à segurança biológica.
Com informações de Fernando Evans, g1 Campinas e Região






