Vítima de feminicídio tinha denunciado ex-marido dez vezes antes do crime

Boletins de ocorrências foram registrados por ameaças e injúria.
Vítima de feminicídio tinha denunciado ex-marido dez vezes antes do crime
Diego Sansalone foi preso e confessou o crime (Foto: Divulgação)

Júlia Gabriela Bravin Trovão, de 29 anos, morta após um ataque a tiros ocorrido no último sábado (21), em Botucatu, interior de São Paulo, havia registrado ao menos dez boletins de ocorrência contra o ex-companheiro, Diego Sansalone, de 38 anos, apontado como autor do crime. Ao longo dos anos, ela também solicitou três medidas protetivas à Justiça, mas apenas uma foi concedida.

O ataque aconteceu na Avenida Cecília Lourenção, no bairro Residencial Ouro Verde, quando Júlia estava dentro de um carro ao lado do atual companheiro, Diego Felipe Corrêa da Silva, de 34 anos. Os dois foram atingidos por disparos de arma de fogo.

Diego Felipe morreu ainda no local. Júlia foi socorrida em estado grave, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na terça-feira (24).

As duas crianças do casal — um menino de 8 anos, filho de Júlia com o autor do crime, e uma menina de 7 anos, filha de Diego Felipe — estavam no veículo no momento do ataque, mas não foram atingidas.

Diego e Júlia estavam com os filhos no carro no momento do ataque (Foto: Reprodução)

Diego Sansalone foi preso no dia seguinte ao crime após fugir e confessou o assassinato à polícia. No momento da prisão.

Histórico de denúncias

Os registros policiais contra o investigado começaram em maio de 2021, quando Júlia denunciou o ex-companheiro por ameaça e injúria. O caso acabou arquivado pela Justiça.

Nos anos seguintes, outros nove boletins de ocorrência foram registrados, envolvendo acusações como ameaça, injúria, difamação, dano e descumprimento de acordos relacionados à guarda compartilhada do filho.

Em outubro de 2022, Diego Sansalone chegou a ser preso por falta de pagamento de pensão alimentícia, sendo liberado após quitar a dívida.

Segundo apuração jornalística, dois pedidos de medida protetiva feitos por Júlia foram negados pela Justiça — incluindo o mais recente, solicitado na sexta-feira (20), um dia antes do ataque. Outro pedido também havia sido recusado em outubro de 2025.

A única medida protetiva concedida ocorreu em abril de 2022 e teve validade de 90 dias.

O caso segue sob investigação das autoridades, que apuram todos os detalhes da ocorrência e o histórico de violência envolvendo o acusado e a vítima.

Com informações do g1 Bauru e Marília