CPMI do INSS mira atuação da Cobap e convoca advogada

Clara Alcântara Botelho Machado teria sido usada para fazer denúncias contra o governador do Maranhão.
CPMI do INSS mira atuação da Cobap e convoca advogada
Clara Alcântara Botelho Machado deve explicar atuação em milhares de ações e suspeitas de irregularidades na Cobap (Foto: Reprodução)

O Senado aprovou o Requerimento 1.802/2025 para convocar a advogada mineira Clara Alcântara Botelho Machado a depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga um suposto esquema bilionário de descontos indevidos em benefícios do INSS. A oitiva deve ocorrer nas próximas semanas, em data a ser definida.

O que está sob investigação

  • Vínculo com a Cobap: a convocação menciona indícios de irregularidades envolvendo a Confederação Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos (Cobap), apontada por parlamentares como beneficiária de descontos não autorizados em proventos de aposentados.
  • Atuação processual em massa: o requerimento registra que Clara figura em mais de 11 mil processos em defesa da Cobap, muitas vezes sem inscrição suplementar em seccionais da OAB de outros estados — o que, em tese, contraria o Estatuto da Advocacia.
  • Tese sobre danos morais: em peças judiciais, a advogada teria defendido que descontos entre R$ 98 e R$ 104 seriam “irrisórios”, o que gerou críticas por desconsiderar o impacto sobre aposentados de baixa renda.

Importante: todas as acusações estão em apuração pela CPMI e por órgãos de controle. A defesa da advogada e da Cobap será ouvida.

Repercussões e antecedentes

Clara Alcântara já protagonizou controvérsias em ações de grande repercussão, como quando buscou se habilitar como amicus curiae na ADI 7.780 (Solidariedade), com alegações contra o governo do Maranhão. O STF negou sua admissão, mas remeteu trechos para possível apuração pela Polícia Federal. O episódio reforçou a projeção pública da advogada e sua associação a disputas políticas.

O que a CPMI quer saber

A comissão pretende esclarecer:

  • Qual a extensão da responsabilidade da advogada na arquitetura jurídica que teria permitido os descontos questionados;
  • Se houve prática abusiva ou violação ao Código de Defesa do Consumidor e a normas do INSS;
  • Como se dava a autorização (ou a ausência dela) dos filiados para os descontos;
  • Se existiu vantagem indevida para entidades ou terceiros.

Próximos passos

  • A presidência da CPMI agenda a oitiva;
  • A comissão pode requisitar documentos à Cobap, ao INSS, à OAB e a tribunais;
  • Eventuais responsabilizações podem ser encaminhadas ao MPF, CGU, Polícia Federal e OAB.

A reportagem será atualizada com a data do depoimento e eventuais manifestações oficiais da advogada, da Cobap e dos órgãos citados.