O Ministério Público do Maranhão (MPMA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), realizou nesta quinta-feira (8) as oitivas de 11 investigados no âmbito da Operação Tântalo II, deflagrada no município de Turilândia.
Entre os ouvidos estão vereadores suspeitos de envolvimento no esquema investigado. Todos exerceram o direito constitucional de permanecer em silêncio.
Prestaram depoimento os vereadores José Ribamar Sampaio, Mizael Brito Soares, Nadianne Judith Vieira Reis, Daniel Barbosa Silva, Sávio Araújo e Araújo, José Luis Araújo Diniz, Gilmar Carlos Gomes Araújo, Josias Fróes, Carla Regina Pereira Chagas, Inailce Nogueira Lopes e Valdemar Barbosa. As oitivas ocorreram na Promotoria de Justiça de Santa Helena, para onde os parlamentares foram deslocados a pedido do MPMA, e foram conduzidas por promotores integrantes do Gaeco por meio de videoconferência.
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Investigação aponta organização criminosa estruturada
De acordo com o MPMA, os investigados fariam parte de uma organização criminosa estruturada, responsável pelo desvio de mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos municipais. O esquema, segundo as investigações, envolveria gestores públicos, empresários, servidores e parlamentares, com atuação coordenada no âmbito da Prefeitura e da Câmara Municipal.
O prefeito Paulo Curió se apresentou à polícia na manhã da quarta-feira (24/12), após permanecer foragido por dois dias. Outros alvos da operação também se entregaram às autoridades ao longo da semana.

Operação Tântalo II
A Operação Tântalo II foi deflagrada na segunda-feira, 22 de dezembro, pelo Gaeco, como desdobramento da primeira fase da operação, realizada em fevereiro deste ano. As investigações indicam que os principais desvios ocorreram em contratos vinculados às áreas de Saúde e Assistência Social do município.
Papéis atribuídos aos investigados
Segundo os autos, Paulo Curió teria exercido papel central na organização, atuando como ordenador de despesas, direcionando processos licitatórios e autorizando pagamentos sem a devida comprovação da prestação dos serviços. A ex-vice-prefeita Janaina Soares Lima é apontada como figura-chave do núcleo empresarial, com controle de empresas beneficiadas por contratos públicos, entre elas o Posto Turi, que teria recebido mais de R$ 17 milhões.
Ainda conforme o MPMA, Janaina Soares Lima e o marido, Marlon Serrão, teriam firmado acordo para reter parte dos valores dos contratos, repassando o restante ao núcleo político. O contador Wandson Barros é descrito como operador financeiro do esquema, responsável pela criação de empresas de fachada, movimentação dos recursos e distribuição de propinas.
Empresas investigadas e reflexos políticos
Entre as empresas citadas no inquérito estão Posto Turi, Luminer Serviços, Climatech Refrigeração, SP Freitas Júnior, JEC Empreendimentos e Potencial Empreendimentos. Segundo o MPMA, essas empresas emitiam notas fiscais sem a efetiva prestação de serviços, devolvendo posteriormente os valores ao grupo político.
A investigação também alcança a Câmara Municipal, onde vereadores teriam recebido pagamentos para apoiar o Executivo e evitar ações de fiscalização. A Justiça autorizou buscas e apreensões em gabinetes parlamentares para coleta de documentos e registros financeiros.
As prisões preventivas do prefeito Paulo Curió, da primeira-dama Eva Curió, da ex-vice-prefeita Janaina Soares Lima, de Marlon Serrão e de Wandson Barros foram mantidas após audiência de custódia realizada no dia 24 de dezembro, em São Luís.
A reportagem procurou as defesas dos investigados citados, mas não obteve retorno até a última atualização.






