Em um cenário global marcado pelo avanço da inteligência artificial e pela consolidação do comércio eletrônico, o consumidor de São Luís segue na contramão das grandes tendências digitais. Dados inéditos da plataforma Qi Mercado, que será relançada oficialmente nesta quarta-feira (4) em um novo formato de pesquisa contínua, indicam que 81,08% dos ludovicenses preferem realizar compras em lojas de rua, mantendo a centralidade do comércio físico na capital maranhense.
O levantamento mostra ainda que 45,7% dos entrevistados nunca realizaram compras pela internet, um dado que reforça a relevância do atendimento presencial, do contato direto com o vendedor e da localização estratégica dos pontos de venda. O cenário sinaliza que empresários locais precisam priorizar a experiência física do consumidor e investir na qualidade do atendimento nos chamados pontos de venda (PDVs).
Nova fase da Qi Mercado aposta em dados contínuos
Os números fazem parte da nova fase da Qi Mercado, que deixa o modelo tradicional de pesquisas pontuais e passa a operar com coleta de dados contínua. A proposta é permitir que empresários, gestores públicos e investidores acompanhem, ao longo do ano, as mudanças nos hábitos de consumo da população de São Luís, ajustando estratégias de forma mais ágil e fundamentada.
“Entender que quase metade da população não compra online muda completamente a estratégia de marketing de uma empresa local. A nova plataforma Qi Mercado chega justamente para entregar essa inteligência viva, permitindo decisões baseadas em dados atualizados”, afirma Felipe Ladeira, sócio-diretor da plataforma.
Otimismo econômico e intenção de compra
Além do retrato do comportamento de consumo, a pesquisa aponta um ambiente de otimismo econômico na capital maranhense. O mercado imobiliário, por exemplo, tende a se aquecer em 2026: 30,98% dos entrevistados afirmaram que pretendem comprar um imóvel, novo ou usado, nos próximos 12 meses.
O desejo de empreender também aparece com força. Segundo o levantamento, 37,83% da população manifesta interesse em abrir o próprio negócio. Entre esses potenciais empreendedores, o setor de alimentação desponta como principal escolha, citado por 41,03% dos entrevistados, confirmando a vocação da cidade para a gastronomia e os serviços.
Mobilidade, apostas e educação
Outros dados do estudo ajudam a compor um panorama mais amplo do cotidiano dos ludovicenses. O ônibus segue como principal meio de transporte para 46,99% da população, embora quase 20% afirmem intenção de comprar um carro no próximo ano, indicando possível impacto futuro na mobilidade urbana.
A pesquisa também identificou o crescimento do interesse por apostas esportivas online. Cerca de 33,1% dos entrevistados afirmaram ter utilizado plataformas de “bets” ao menos uma vez no último ano, evidenciando a presença desse mercado no dia a dia da população.
No campo da educação, entre os 30,34% que utilizam escolas particulares, o fator decisivo na escolha é a qualidade do ensino, apontada por 74,4%, superando critérios como preço ou localização.
Apoio do Sebrae e acesso aos dados
A primeira edição da nova série de pesquisas conta com apoio do Sebrae Maranhão, o que possibilitou a inclusão de módulos específicos sobre empreendedorismo. A parceria amplia o conhecimento sobre o perfil do público empreendedor local e contribui para o planejamento de ações voltadas ao desenvolvimento econômico.
“Esses dados podem ser cruzados com informações de mídia e perfil demográfico. É possível, por exemplo, identificar quais meios de comunicação têm maior afinidade com quem pretende comprar um carro ou abrir um negócio”, explica Peter Vieth, também sócio-diretor da Qi Mercado.
Parte das informações levantadas está disponível gratuitamente no site da plataforma, como contrapartida institucional ao apoio do Sebrae Maranhão. A iniciativa permite que empresas, gestores públicos e agentes do mercado conheçam a metodologia e utilizem os dados no planejamento estratégico.
Credibilidade e metodologia
A Qi Mercado destaca que a pesquisa segue normas e critérios reconhecidos no mercado publicitário brasileiro, alinhados às referências do Fórum de Autorregulação do Mercado Publicitário (antigo CENP). O alinhamento às boas práticas amplia a confiabilidade dos dados e permite comparações com outros estudos de mercado.
O retrato traçado pelo levantamento mostra que, em São Luís, a inovação convive com a tradição — e que compreender essa dinâmica é essencial para quem deseja dialogar com o consumidor local.
Com informações da DR Comunicação






