TJMA garante segurança de depósitos judiciais após questionamentos

Tribunal afirma que pagamentos ocorrem normalmente e contrato com Banco de Brasília foi firmado dentro da legalidade.
TJMA convoca mais 34 aprovados no concurso para juiz substituto
TJMA convoca mais 34 aprovados no concurso para juiz substituto (Foto: Reprodução)

O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) divulgou nota oficial para esclarecer informações que classificou como inverídicas sobre a movimentação de contas de precatórios e depósitos judiciais transferidos ao Banco de Brasília (BRB). Segundo o órgão, os valores vinculados a processos em andamento permanecem protegidos, sob controle institucional e com total garantia de segurança jurídica às partes envolvidas.

De acordo com o Tribunal, depósitos judiciais e precatórios não integram o patrimônio do Poder Judiciário nem do banco custodiante. Os valores permanecem vinculados aos respectivos processos até decisão definitiva e posterior liberação às partes ou advogados. O TJMA reforça que o BRB atua exclusivamente como agente de custódia, assegurando os rendimentos previstos em lei, destinados ao Fundo Especial do Poder Judiciário (FERJ), responsável por investimentos em modernização, manutenção e estrutura da Justiça maranhense.

A Corte também informou que todos os pagamentos de alvarás judiciais e precatórios seguem sendo realizados regularmente, sem registro de atrasos. Somente nos meses de dezembro de 2025 e janeiro de 2026, mais de R$ 544 milhões foram liberados, segundo dados apresentados pelo Tribunal.

Contratação do BRB e procedimento do CNJ

A contratação do BRB foi formalizada em agosto de 2025, após o encerramento do contrato anterior com o Banco do Brasil. Conforme o TJMA, o processo seguiu rigorosamente os parâmetros da Lei nº 14.133/2021, com publicação no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), no Portal da Transparência do Tribunal e no Portal de Notícias do Judiciário estadual.

O contrato prevê possibilidade de rescisão a qualquer momento em caso de descumprimento de obrigações. O Tribunal destacou ainda que o serviço de custódia de depósitos judiciais é oferecido em regime de livre concorrência por instituições financeiras públicas, não se tratando de exclusividade permanente.

A transferência de aproximadamente R$ 2,8 bilhões em depósitos judiciais ao BRB passou a ser analisada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que instaurou procedimento para apurar a operação. A medida foi autorizada pelo então presidente da Corte, desembargador Froz Sobrinho, e gerou questionamentos internos e externos.

Justificativa: aumento de rentabilidade

Segundo o ex-presidente do TJMA, a migração teve como principal objetivo ampliar a rentabilidade dos depósitos judiciais. Ele afirmou que o rendimento mensal teria saltado de cerca de R$ 3 milhões, quando aplicado no Banco do Brasil, para aproximadamente R$ 13 milhões após a transferência ao BRB.

Esses rendimentos, conforme explicou, são direcionados ao Fundo Especial de Reaparelhamento e Modernização do Judiciário, utilizado para custeio de contratos, aquisição de equipamentos e pagamento de indenizações a magistrados e servidores.

Questionamentos internos e cenário externo

A decisão, no entanto, foi alvo de críticas dentro da própria Corte. O desembargador Paulo Sérgio Velten Pereira classificou a medida como grave e questionou o fato de a mudança não ter sido submetida previamente ao colegiado.

Também foram levantadas preocupações quanto à segurança da aplicação dos recursos, especialmente diante de episódios recentes envolvendo o BRB no cenário financeiro nacional. O banco foi citado em investigações após tentativa de aquisição do Banco Master, posteriormente liquidado pelo Banco Central por suspeitas de irregularidades na venda de carteiras de crédito.

Por sua vez, o BRB informou que a operação no Maranhão integra sua estratégia de expansão nacional e destacou a adoção de plataforma digital própria para pagamento de alvarás judiciais, incluindo a utilização de Pix judicial.

Nova gestão e continuidade das análises

Na última quarta-feira, o TJMA elegeu a nova mesa diretora para o biênio 2026–2028, tendo como presidente o desembargador Ricardo Tadeu Bugarim Duailibe. O procedimento instaurado pelo CNJ segue em análise.

Enquanto isso, o Tribunal reafirma que a movimentação dos recursos ocorre dentro da legalidade, com acompanhamento permanente e sem prejuízo aos jurisdicionados.